O número representa uma queda de 0,2 ponto percentual (pp) em relação à previsão anterior, feita em janeiro, e indica o que deve ocorrer caso a guerra tenha curta duração, incluindo eventuais interrupções no fornecimento de energia.
Segundo o economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, no entanto, o mundo já parece se aproximar de um cenário mais “adverso”, o que levaria a um crescimento ainda menor da economia global em 2026, de 2,5%.
“A cada dia que passa e a cada nova interrupção sem energia suficiente, estamos nos aproximando do cenário adverso”, afirmou o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas.
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Nesse cenário, a projeção considera um conflito prolongado e preços do petróleo em torno de US$ 100 o barril.
As preocupações com o mercado internacional de petróleo, em meio ao extremo no Oriente Médio, estão no centro das projeções divulgadas pelo FMI. Isso porque, segundo o Fundo, o avanço nos preços da commodity tende a provocar uma nova alta da inflação global, pressionando as taxas de juros e aumentando a possibilidade de uma recessão global.
Segundo o relatório do FMI, o conflito também eleva os riscos à estabilidade financeira global por meio de pressões inflacionárias.
Segundo o Fundo, o aumento dos preços pode provocar uma abertura nos mercados de financiamento ao redor do mundo, potencialmente prejudicando instituições não bancárias e o crédito privado.
“Quanto mais tempo o conflito durar, maior será o risco de que as condições financeiras globais — que eram muito elaboradas antes da guerra — se tornem ainda mais restritivas e abruptas”, alertou.
Gourinchas destacou ainda que caso os preços do petróleo se mantenham em níveis elevados, acima de US$ 110 o barril, isso aumentaria a expectativa de uma inflação mais persistente — o que, por sua vez, poderia gerar aumentos de preços mais amplos e pressão por reajustes salariais.
“Essa mudança nas expectativas de inflação exigirá que os bancos centrais pisem no freio e tentem reduzir a inflação novamente”, disse.
O FMI afirmou, no entanto, que os bancos centrais podem ser capazes de “ignorar” uma alta passagem nos preços da energia e manter as taxas de juros geradas em meio a uma atividade mais fraca.
A inflação global para 2026 ultrapassaria os 6% no cenário mais severo, em comparação com 4,4% no cenário de referência mais otimista, que é a indicação das projeções de crescimento do FMI para países e regiões.
Na contramão das projeções para o mundo, o Fundo elevou uma perspectiva de crescimento para o Brasil no período, citando um pequeno impacto positivo da guerra no Oriente Médio já que o Brasil é exportador de petróleo. A estimativa é que a economia do país tenha uma alta de 1,9%.
No documento, o FMI passou a ver uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1,9% em 2026, um avanço de 0,3 pp em relação à projeção feita em janeiro, mas o mesmo ritmo pelo Fundo estimado em outubro do ano passado.
Ainda assim, o desempenho fica abaixo do avanço de 2,3% do PIB que o Brasil registrou em 2025, que foi o pior desde 2020, segundo dados do IBGE.
“A guerra deverá ter um pequeno efeito positivo em 2026, já que o país é exportador de energia, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual”, apontou o FMI.
A perspectiva do FMI para a economia brasileira é melhor do que a do Banco Central, de 1,6% e fica bem próxima das estimativas do mercado financeiro, de 1,85% segundo o Boletim Focus. O número, no entanto, ainda fica abaixo do projetado pelo Ministério da Fazenda (2,3%).
Já para o próximo ano, a projeção do FMI prejudica em 0,3 pp em relação à previsão de janeiro, para 2%. O corte reflete a perspectiva de desaceleração da demanda global, com custos mais altos de insumos e condições financeiras mais apertadas.
“Reservas internacionais adequadas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, grande colchão de liquidez do governo e uma taxa de câmbio flexível devem ajudar o país a absorver o choque”, ponderou o FMI.
As perspectivas do FMI para o Brasil neste ano e no próximo ficam abaixo das projeções para a América Latina e Caribe, cujas expectativas de crescimento são de respectivamente 2,3% e 2,7%.
“O impacto do conflito no Oriente Médio dentro da região é heterogêneo, com as economias menores sendo afetadas de forma mais negativa”, alertou.
As contas do Fundo para a economia brasileira também são piores do que as Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, das quais o Brasil faz parte, que o Fundo projetou em 3,9% e 4,2%.
O FMI também impediu a previsão de crescimento para os Estados Unidos neste ano para 2,3%, queda de 0,1 pp em relação à projeção de janeiro. Para a zona do euro, a queda foi de 0,2 pp, para 1,1%. Na China, a previsão também caiu 0,1p.p., para 4,4%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.


