Petróleo desaba quase 6%, fica abaixo de US$ 100 e tem menor preço em um mês com possível acordo entre EUA e Irã

Petróleo desaba quase 6%, fica abaixo de US$ 100 e tem menor preço em um mês com possível acordo entre EUA e Irã


O preço do petróleo desabou quase 6% e atingiu o seu menor valor em mais de um mês ao ser cotado a US$ 94,22, às 8h45 (horário de Brasília) desta segunda-feira (25).

O barril Brent, referência mundial, foi negociado pela quantia mais baixa desde 22 de abril, quando alcançou foi vendido a US$ 91,42. Na sexta-feira (22), o preço estava em US$ 100,21, mas ele despencou para US$ 95 logo na abertura da sessão, às 19h de domingo (24).

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a cair a US$ 90,34 nesta segunda e estava a US$ 90,83, queda de 5,97%, às 9h15.

Três navios cargueiros estão ancorados em mar calmo sob céu nublado. O navio mais próximo é grande, escuro e ocupa o centro da imagem, com outros dois navios visíveis ao fundo, um à esquerda e outro à direita.

Navios aguardam no estreito de Hormuz

Majid-Asgaripour – 22.mai.26/Reuters

Os investidores repercutiram um possível acordo entre o Irã e os Estados Unidos para o fim da guerra. No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o bloqueio americano no estreito de Hormuz continuaria em vigor enquanto um acordo com o Irã não fosse “alcançado, certificado e assinado”.

Horas depois, na manhã desta segunda, Trump voltou a subir o tom ao estipular limites para a negociação no Oriente Médio. “O acordo com o Irã será grande e significativo, ou não haverá acordo”, escreveu na sua rede social Truth Social.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que há uma possibilidade de o acerto ser anunciado ainda nesta segunda. “Temos uma proposta bastante consistente [para abrir o estreito de Hormuz]”, declarou em Nova Déli.

“[A proposta] conta com muito apoio no golfo…Todos os países com quem temos debatido entendem que não é só uma proposta muito razoável como também é o correto para o mundo”, indicou o secretário.

Porém o otimismo mostrado pelos EUA não era o mesmo entre os negociadores do Irã. “É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão…mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, comentou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

Ele reiterou que o país não abre mão de manter o controle sobre o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, com a cobrança de taxas, o que é rechaçado pelos norte-americanos.

“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Hormuz, do golfo Pérsico e do mar de Omã exigem a cobrança de certas taxas”, disse o porta-voz.

Além de Hormuz, outro ponto de discordância entre as partes é a manutenção do programa nuclear de Teerã. As autoridades iranianas afirmaram que este tema será debatido em um outro momento, após um evento acordo inicial, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que ele e Trump concordaram que qualquer acordo final com o Irã deve incluir a “exigência” de “desmantelar o programa nuclear do Irã e retirar todo o urânio enriquecido do território iraniano”.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que é responsável por intermediar as negociações de paz, afirmou em visita ao líder da China, Xi Jinping, que houve um avanço nas conversas entre EUA e Irã, mas evitou fazer previsões sobre o acordo.

Segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, um possível acordo para o fim da guerra levaria o número de navios autorizados a transitar pelo estreito de Hormuz a normalizar em 30 dias.

Folha Mercado

Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

O bloqueio naval deve ser completamente suspenso em 30 dias, de acordo com um memorando de entendimento, disse a Tasnim, acrescentando que parte dos fundos congelados do Irã deve ser liberada na primeira fase.

O analista da MST Marquee Saul Kavonic disse que, apesar de todas as ressalvas e riscos que ainda cercam o acordo de paz, agora há alguma luz no fim do túnel, o que deve trazer um alívio de curto prazo para os preços do petróleo.

No entanto, analistas esperam que sejam necessários meses para que os fluxos de petróleo pelo estreito voltem ao normal e para que instalações danificadas sejam reparadas.

Mais do autor

Moçambique receberá aproximadamente 6,8…