Segundo Zandamela, que falava aos jornalistas segunda-feira, em Maputo, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), espera-se uma aceleração da inflação em função da duração do conflito no Médio Oriente.
Explicou que as projeções de inflação também são influenciadas pelos “efeitos diretos e indiretos dos ajustes nos preços domésticos dos combustíveis líquidos, bem como pelas interrupções na oferta e na inflação importada”.
O governador lembrou que a inflação anual situou-se em 4,4 por cento em Abril, depois de 3,4 por cento em Março. “É evidente que os riscos e incertezas associados às projeções de inflação continuam a agravar-se. A nível interno, os riscos e incertezas dizem respeito, em primeiro lugar, à escala dos efeitos indiretos do aumento dos preços dos combustíveis na cadeia logística e no fornecimento de bens”, afirmou.
Zandamela explicou ainda que o pagamento antecipado e integral pelo governo da dívida pendente de 515,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (equivalente a cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não afectou as contas do banco central.
“Continuamos a ter um nível de reservas extremamente confortável. Hoje estão praticamente em cinco meses de cobertura de importações, o que é muito elevado, então isso não nos fragilizou. Quando a decisão foi tomada, estávamos numa posição extremamente confortável, e continuamos assim”, afirmou.
“Hoje estamos seguros, dados alguns riscos que iam surgindo. A decisão de pagar a dívida ao FMI em nada enfraqueceu o balanço do Banco de Moçambique”, acrescentou.
As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do país caíram 18 por cento em Março, para o seu nível mais baixo em mais de um ano, de 3,486 mil milhões de dólares, depois de o governo as ter utilizado para liquidar a dívida com o FMI.
A dívida pendente do país ao FMI caiu para zero no final de Março. Moçambique é o único país nesta situação entre 85 países listados.
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