A Confederação das Associações Empresariais (CTA) do país tem alertado que a escassez de divisas (particularmente de dólares americanos) é um dos principais constrangimentos ao funcionamento eficiente dos sectores produtivos, particularmente a indústria transformadora, a agricultura comercial, o turismo, a mineração e a logística.
A escassez tem levado a paralisações parciais ou totais de operações, perdas de empregos e redução de receitas fiscais.
Segundo a economista e investigadora do CIP, Teresa Bueno, falando, em Maputo, no lançamento da pesquisa sobre “Escassez de Moeda Estrangeira e Taxa de Câmbio em Moçambique”, as medidas que visam reduzir a vulnerabilidade da economia à moeda estrangeira exigem a redução da dependência das importações e o reforço da capacidade interna de geração de divisas.
“Recomendamos o fortalecimento da produção interna como tentativa de reduzir a dependência das importações. Recomendamos também a promoção da diversificação económica, da industrialização e do aumento da capacidade de exportação”, declarou.
Segundo o investigador, a economia moçambicana continua estruturalmente vulnerável à pressão cambial, situação que afecta o crescimento económico, o desempenho do sector privado, a inflação e a dívida pública.
Por isso, disse, o país precisa de investir em infra-estruturas produtivas, nomeadamente nos sectores da energia e dos transportes, considerados essenciais para aumentar a competitividade da economia.
“Inclui o investimento no capital humano e na modernização agrícola, com vista ao aumento da produtividade e ao fortalecimento da base produtiva nacional”, disse.
O investigador destacou ainda a necessidade de melhorar a gestão da dívida externa e reforçar a sustentabilidade fiscal, especialmente num momento em que “a depreciação da moeda tende a agravar o peso da dívida pública, especialmente devido à elevada exposição do país à dívida externa”.
Recomenda-se também melhorias no ambiente de negócios, “considerando que a persistente escassez de moeda estrangeira tem dificultado as atividades empresariais e reduzido a capacidade de importação de matérias-primas e equipamentos”.
“Melhorar o ambiente de negócios passa também por resolver a persistente escassez de divisas que temos assistido. As empresas entrevistadas no estudo reportaram uma redução de cerca de 40 por cento na sua capacidade de importação e nas actividades operacionais devido à dificuldade de acesso a divisas”, afirmou o investigador.
Segundo o estudo, mais de 500 empresas fecharam, situação que resultou na perda de mais de 15 mil empregos. “A persistente escassez de moeda estrangeira e a alegada estabilidade da taxa de câmbio oficial continuam desalinhadas com as condições reais do mercado, exacerbando a vulnerabilidade macroeconómica do país”, disse ela.
(MIRAR)
SNN/Am/




