Maputo, 20 Abr (AIM) – O governo moçambicano prevê atingir, nos próximos 10 anos, 80 por cento de auto-suficiência na produção de produtos alimentares básicos.
Segundo Acubar Batista, Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, falando no encontro “Cultivando o Futuro: Inovação, Tecnologia e Governação na Agricultura”, realizado em Maputo, reduzir a dependência externa de alimentos essenciais requer uma agricultura mais moderna, resiliente e focada em resultados mensuráveis.
“A nossa visão é ambiciosa, mas é necessário construir um setor agrícola resiliente, inclusivo e competitivo, capaz de garantir a soberania alimentar e impulsionar o crescimento económico sustentável”, afirmou.
Explicou que a agricultura do país precisa de transformação, pois é um dos principais motores do crescimento económico, da segurança alimentar e da inclusão social.
“A meta de 80 por cento surge num contexto em que Moçambique continua a enfrentar desafios estruturais como baixa produtividade, acesso limitado ao financiamento, cadeias de abastecimento frágeis e forte exposição aos choques climáticos”, disse.
No entanto, Batista entende que estes constrangimentos podem ser convertidos em oportunidades de transformação.
Além da auto-suficiência alimentar, o governo estabeleceu outros objectivos estratégicos para a próxima década, incluindo a produção anual de 400 mil toneladas de peixe na aquicultura, a recuperação de um milhão de hectares de florestas e a criação de uma área igual em plantações florestais comerciais.
O governo também pretende reduzir a desnutrição crónica infantil para menos de 20 por cento, mas “os objectivos por si só não transformam as realidades. A mudança reside em acções concretas”, disse Batista.
“Precisamos fortalecer a produção de sementes, expandir a irrigação, melhorar a logística, digitalizar os serviços agrícolas e aumentar a inclusão financeira através de crédito subsidiado e incentivos ao investimento privado”, disse.
O encontro, organizado por uma ONG espanhola, reuniu o governo, a academia, o sector privado e parceiros de cooperação internacional para discutir soluções aplicáveis ao futuro da agricultura moçambicana.
(MIRAR)
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