Segundo Olamide Harrison, representante residente do FMI em Moçambique, que falava quarta-feira numa mesa redonda sobre “Perspectivas Económicas Regionais e o Impacto dos choques nos preços dos combustíveis na economia nacional”, esta projecção macroeconómica foi actualizada à luz dos dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) do país.
“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística. A taxa real de crescimento económico foi revista de -0,5 por cento para apenas 0,2 por cento, reflectindo o abrandamento da actividade económica e a fraca contribuição dos sectores não extractivos”, afirmou.
O FMI acredita que a economia nacional poderá iniciar uma trajetória de recuperação gradual no próximo ano, embora persistam fatores de risco. “Ainda estamos incorporando vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das commodities nos mercados internacionais”, disse.
Segundo Harrison, a dinâmica dos preços globais, particularmente dos combustíveis e outras commodities estratégicas, desempenhará um papel decisivo no desempenho económico dos países africanos que exportam recursos naturais, incluindo Moçambique.
Como parte do seu apoio aos países da região, o FMI reiterou a disponibilidade de vários instrumentos financeiros destinados a reforçar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade externa das economias.
“O FMI tem várias linhas de financiamento disponíveis, algumas das quais já apoiam os países da região na gestão dos desafios da sua balança de pagamentos”, disse.
Harrison disse também que a recente remoção de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI) é um sinal positivo “para a credibilidade do país junto dos mercados financeiros e investidores internacionais”.
“O FMI continuará a apoiar os esforços do governo na implementação de reformas estruturais, com especial enfoque na gestão das finanças públicas, no fortalecimento da administração fiscal e na melhoria da governação económica”, afirmou.
No entanto, o relatório Perspectivas Económicas Africanas, recentemente divulgado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), prevê um crescimento de 2,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no exercício financeiro de 2026 e de 3,5 por cento em 2027.
O documento aponta que o crescimento de 2026 representa um aumento de 0,2 pontos percentuais face a 2025. “Esta evolução será impulsionada por uma recuperação do sector extractivo, pelo forte consumo privado impulsionado por rendimentos mais elevados, e pelo crescimento do investimento”, lê-se no relatório.
MR/Zl/Anúncio/



