Segundo o porta-voz do governo e ministro da Saúde, Ussene Isse, que falava terça-feira aos jornalistas, em Maputo, após a reunião do Conselho de Ministros (gabinete), os ataques xenófobos causaram a morte de nove moçambicanos e pelo menos 874 cidadãos foram afectados numa escalada de violência “que está a levar centenas de pessoas a regressar ao país”.
“A situação continua a ser motivo de preocupação, especialmente devido à circulação de ameaças dirigidas a cidadãos estrangeiros residentes na província de KwaZulu-Natal, onde alegadamente lhes foi dado o prazo de 30 de Junho para abandonarem a região”, disse.
Em resposta à situação, disse, o governo activou mecanismos de resposta e assistência logo após o início dos ataques da última sexta-feira.
“Foi constituída uma equipa multissectorial, envolvendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Instituto Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres (INGD), os Serviços de Migração, o Alto Comissariado e o Consulado de Moçambique na África do Sul”, disse.
Explicou que o objectivo é avaliar a dimensão da crise e preparar uma resposta coordenada para acolher os cidadãos que procuram regressar ao país.
Até à data, vários moçambicanos registaram-se no Consulado de Moçambique em Durban, manifestando formalmente a sua intenção de regressar ao país. O governo prevê a entrada imediata de mais de 300 cidadãos através da passagem fronteiriça de Ressano Garcia, principal porta de entrada terrestre entre Moçambique e a África do Sul.
Para garantir o transporte dos afectados, foram mobilizados seis autocarros com capacidade para 60 passageiros cada e 12 miniautocarros, numa operação coordenada pelas autoridades sul-africanas em colaboração com instituições moçambicanas.
À chegada à passagem fronteiriça de Ressano Garcia, na província de Maputo, os moçambicanos em regresso forçado ao país recebem dois kits alimentares, um para uso imediato e outro para os primeiros 10 dias do seu reassentamento nas suas áreas de origem.
Numa primeira fase, o governo prevê repatriar cerca de mil cidadãos moçambicanos. Atualmente, 584 pessoas estão alojadas em abrigos comunitários na África do Sul devido à insegurança causada pelos ataques.
Isse garantiu ainda que o Governo manterá a comunicação diária sobre a evolução da situação, de forma a garantir informação actualizada às famílias e ao público.
Nos últimos meses, vários cidadãos sul-africanos têm levado a cabo protestos anti-migrantes contra africanos, incluindo moçambicanos. O foco destes atos xenófobos, que têm sido recorrentes, tem sido os negros africanos. A discriminação contra cidadãos estrangeiros também tem levado a saques, deslocamentos, assédio e motins mortais em assentamentos informais.
Segundo dados do governo, mais de 300 mil moçambicanos residem na África do Sul. A África do Sul é o maior parceiro comercial de Moçambique na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com um comércio que varia entre 1,7 mil milhões de dólares americanos e dois mil milhões anualmente. O tráfego fronteiriço é intenso, com 1.700 a 2.000 camiões a atravessarem as fronteiras diariamente, além de um forte comércio transfronteiriço informal.
(MIRAR)
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