Começa reunião entre representantes do Líbano e de Israel nos EUA | G1


Ao sair do primeiro encontro, o embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, disse que o governo libanês deixou claro que não quer mais o país “ocupado” pelo grupo extremista Hezbollah, e que houve conversas sobre uma visão de longo prazo para uma fronteira claramente delimitada entre os dois países.

No entanto, ele não se comprometeu com um cessar-fogo entre Tel Aviv e Berute.

“Quanto a um cessar-fogo, estamos lidando com apenas uma coisa, e deixei isso muito claro: estamos focados na segurança dos moradores do Estado de Israel”, declarou Leiter.

Atualmente, a fronteira entre os dois países é delimitada pela Linha Azul, definida pela ONU no ano 2000. Em março de 2026, no entanto, as forças de Israel ocuparam o sul libanês entre a Linha Azul e o rio Litani, ordenando a remoção da população local, sob a justificativa de combate ao Hezbollah.

De acordo com os EUA, Israel e Líbano concordaram em obrigação com as conversas “em um momento e acordo local mútuo” no futuro.

Leiter conversou por duas horas com a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamden Moawad. O secretário de Estado, Marco Rubio, também esteve presente na reunião.

O Conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, Michael Needham, o Embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o Embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, a Embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamadeh Moawad, e o Embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter. — Foto: Oliver Contreras/AFP

Nesta terça-feira (14), o presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou esperança de que as conversas desta terça-feira “levem ao fim do sofrimento do povo libanês”. Ele também destacou que “a estabilidade não retornará ao sul se Israel continuar a ocupar suas terras”.

“A única solução reside no reposicionamento do exército libanês até à fronteira internacionalmente reconhecida, sendo assim o único responsável pela segurança da área e pela proteção dos seus residentes, sem a participação de qualquer outra parte”, acrescentou Aoun.

O conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo terrorista libanês aliado ao Irã, é um desdobramento da guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

Os ataques israelenses no país vizinho já mataram pelo menos 2 mil pessoassegundo o Ministério da Saúde Libanês. O fim do conflito no Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um cessar-fogo entre Washington, Tel Aviv e Teerã (veja mais abaixo).

Israel se recusa a negociar com o Hezbollah, que chama encontro de ‘inútil’

Diferentemente do governo libanês, que expressa disposição para iniciar negociações com Israel, o Hezbollah se opõe às tratativas.

Em um discurso televisado nesta segunda-feira (13), o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, pediu para o governo libanês cancelar a reunião desta terça, descrevendo-a como “inútil” e afirmando que seu grupo continuaria no confronto com os ataques israelenses ao Líbano.

Uma autoridade de alto escalonamento do Hezbollah afirmou à agência de notícias Associated Press nesta terça que o grupo não acatará nenhum eventual acordo nas negociações entre Líbano e Israel.

Na semana passada, a embaixada de Israel em Washington afirmou que as conversas constituiriam o início de “negociações formais de paz” e que o país se recusar a discutir um cessar-fogo com o Hezbollah.

“As negociações se concentraram no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações de importação entre Israel e o Líbano”, disse Netanyahu em comunicado.

O acordo de trégua anterior entre Israel e Hezbollah, celebrado em novembro de 2024, também ocorreu por meio de Washington. Esse acordo foi rompido em março deste ano, nos primeiros dias da guerra entre EUA, Israel e Irã.

Confronto entre Israel e Hezbollah continua

Homem observa prédio alvo de ataque israelense em Tallet El Khayat, em Beirute, no Líbano, no dia 9 de abril de 2026 — Foto: Raghed Waked/Reuters

Nesta segunda-feira (13), Israel atacou Bint Jbeil, importante cidade no sul do Líbano controlada pelo Hezbollah. Fontes libanesas afirmaram à Reuters que o grupo está disposto a lutar até a morte, citando a importância estratégica e simbólica da cidade.

Um oficial militar israelense afirmou que o controle operacional total de Bint Jbeil deve ser realizado em poucos dias e que apenas um pequeno número de combatentes permanece na área.

Também nesta segunda, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que houve um ataque a um centro da Cruz Vermelha no Tiro, no sul do Líbano. A agência estatal libanesa disse que uma pessoa morreu, mas não sofreu vítimas.

O Exército israelense afirmou ter realizado um ataque contra um “terrorista do Hezbollah” em Tiro e está investigando relatos de que o ataque teria causado danos a um centro da Cruz Vermelha.

As Forças Armadas de Israel informaram também que um foguete do Hezbollah atingiu a cidade de Nahariyya, no norte do país. O Corpo de Bombeiros disse que o foguete atingiu um prédio residencial de três andares, enquanto o serviço de ambulâncias afirmou que uma mulher sofreu ferimentos causados ​​por estilhaços de vidro na explosão, segundo a Reuters.

Inclusão do Líbano é um dos principais impasses do cessar-fogo no Oriente Médio

Fotos mostram estratos de bombardeios coordenados feitos por Israel contra o Líbano em 8 de abril de 2026. — Foto: Reuters

Os ataques entre Israel e o Hezbollah continuam mesmo após os EUA e o Irã anunciarem na terça-feira (7) um cessar-fogo na guerra no Oriente Médio, que envolve EUA, Israel e Irã.

A inclusão do Líbano é um dos maiores impasses do acordo.

EUA e Israel afirmam que o país não está incluído na conta do grupo terrorista Hezbollah, financiado pelo Irã.

Por outro lado, o Paquistão, que atua como mediador, e o Irã afirma que a trégua inclui o Líbano e, portanto, proíbe ataques ao país durante o período de cessar-fogo.

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