Autoridades preocupadas com projecto de hidrocarbonetos em Bazaruto – aimnews.org

Maputo, 14 Abr (AIM) – Armando Nguenha, administrador do Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, na província de Inhambane, sul de Moçambique, apelou a medidas preventivas rigorosas para garantir a conservação da vida marinha nos casos de exploração de hidrocarbonetos na região.

A posição do administrador é uma resposta aos relatórios relativos a um potencial projecto de exploração de hidrocarbonetos ao largo da costa de Inhambane.

O projecto, que pretende abranger áreas próximas de zonas de conservação importantes, incluindo o Santuário de Vida Selvagem de Kewene e a Reserva Nacional de Pomene, tem gerado preocupação entre os gestores das áreas de conservação, que alertam para os potenciais impactos em ecossistemas marinhos sensíveis.

Segundo Nguenha, citado pelo jornal independente “O País”, a exploração de hidrocarbonetos e a conservação da vida marinha não devem coexistir em áreas próximas, o que significa que devem estar geograficamente separadas.

“As atividades de exploração de hidrocarbonetos e de conservação da vida marinha não devem coexistir em áreas próximas devido aos riscos ambientais associados. Operações como a prospeção sísmica podem interferir diretamente nos sistemas de comunicação dos animais marinhos, com consequências nefastas para espécies como tubarões, baleias e outras formas de vida dependentes da estabilidade do ecossistema”, afirmou.

Explicou que se a prospecção sísmica ocorrer nos limites do parque irá causar um impacto muito negativo para a vida marinha “porque os sons transmitidos na água viajam muito mais longe. A vida marinha e a prospecção são actividades incompatíveis”.

Alertou ainda que alterações no ambiente acústico do oceano podem provocar o deslocamento ou desaparecimento de espécies sensíveis, comprometendo o equilíbrio ecológico da região.

“Podemos ter um resultado contrário ao princípio da conservação. Portanto, a exploração deve ser acompanhada de tecnologias e práticas que minimizem os riscos aos ecossistemas”, acrescentou.
(MIRAR)
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