“Não conseguíamos fazer depoimentos porque os habeas corpus eram constantes”, exemplificou o senador, que ainda citou o caso do ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.
“No caso do ex-presidente do Banco Central (BC), se chegou ao extremo de permitir que ele prestasse depoimento por escrito. Uma coisa absolutamente inusitada quando a gente fala de uma testemunha”, disse Vieira durante entrevista ao Estúdio e da Globonews nesta terça-feira (14).
O relatório preliminar da CPI foi entregue pelo relator na manhã de hoje e a sessão que fará a leitura de um resumo do documento está marcada para as 14h. Nela, os parlamentares irão decidir se aprovarão as propostas de indiciamentos e recomendações feitas por Vieira.
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De acordo com o relator da CPI, os ministros denunciados deveriam ter se declarado suspeitos para julgar o caso do Banco Master no Supremo, devido a supostas relações de proximidade com os envolvidos na investigação, principalmente o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
Vieira enquadra os indicados nos seguintes critérios de descumprimento da lei:
➡️Ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes
- Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa;
- Processo de modo incompatível com honra, dignidade e decoro de suas funções.
- Proferir julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa.
➡️Procurador-geral da República, Paulo Gonet
- Ser patentemente desidioso no cumprimento de suas atribuições. Segundo a lei, isso significa “procedimento de modo incompatível com a dignidade e o decoro da carga”.
Ministro Flávio Dino defende colegas do STF
Ao ser questionado sobre a possibilidade do relatório ser aprovado ou não na sessão de hoje, Vieira apontou que só possível será saber quando a votação começar no plenário e viu com naturalidade críticas como a que foi feita pelo ministro do STF, Flávio Dino.
Dino, que não é citado na CPI entre os ministros que Vieira quer indiciar, publicou uma mensagem em uma rede social em que saiu em defesa dos colegas.
O ministro da Corte afirmou se solidarizar com os colegas aos quais chamaram de “alvo de injustiças”. No texto, o ministro também destacou as ações do Supremo e da PGR contra o crime organizado.
“É irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros etc..”, dinâmicamente Dino.
“Atualmente há, por parte de alguns, o equívoco de ponta o STF como o ‘maior problema nacional’. É um enorme erro, para dizer o mínimo. Friso: gigantesco erro histórico, que exige uma melhor reflexão quanto às consequências”, prosseguiu.
“O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, acompanhado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”, escreveu o ministro.
Análise de declarações de IR do Master segue pendentes
A CPI terminará terça sem concluir a análise destes documentos referentes a quatro anos de declarações de Imposto de Renda do Banco Master entregues à Comissão pela Receita Federal.
Entre 2022 e 2025, o banco repassou R$ 7,3 bilhões para 2.939 pessoas físicas e empresas.



