O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que a manobra para conseguir maioria para rejeitar o relatório teve “intervenção direta do Palácio do Planalto”.
“A decisão dos colegas pela não aprovação, pelo cartaz de 6 a 4, após uma intervenção direta do Palácio do Planalto, com a mudança de membros, reflete apenas o atraso na pauta. Essa é uma pauta permanente”, disse Vieira.
CPI do crime organizada rejeita relatório final
Três dos 11 membros titulares foram trocados. Conforme os registros do Senado, os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE).
Além disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada membro titular.
Com as trocas, a CPI teve maioria para derrotar o relatório proposto por Vieira. Além de Beto Faro e Teresa Leitão, votaram contra o relatório dos senadores Rogério Carvalho (PT-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE) e Soraya Thronicke.
“A gente teve uma interferência direta para garantir a votação. Se não tivesse a interferência, nós teríamos uma vitória com o mesmo cartaz. A troca de membros foi deliberada para conseguir o quórum de exclusão do relatório”, afirmou Alessandro Vieira.
O texto pede o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet.
➡️ Na prática, o pedido de indiciamento — desde que foi aprovado pela maioria da CPI — poderia levar a um pedido de impeachment das quatro autoridades citadas.
Vieira mencionou crimes de responsabilidade por parte do procurador-geral e dos ministros do STF.
🔎 O processo para julgar um crime de responsabilidade corre no próprio Senado. Crime de responsabilidade é um delito de natureza política, portanto, tem um trâmite diferente do crime comum.

