Desse total, 44% foram apenas para fundos ligados à Reag.
No mesmo período, o Master sacou R$ 6,8 bilhões, enquanto o Vorcaro sacou R$ 581 milhões de todas as aplicações que fez. Ao todo, os investimentos foram feitos em 184 contas de 67 fundos de investimento diferentes.
Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPMI que investigou os desvios em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e que foi encerrada no dia 27 de março.
Eles fazem parte da e-financeira, um conjunto de dados que traz informações a respeito de contas bancárias, de investimento, consórcio e etc.
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Os fundos vinculados a um administrador aparecem como os que mais receberam recursos, R$ 6,3 bilhões (52%) de tudo que foi investido. Em seguida, aparecem os fundos da Reag, que receberam R$ 5,3 bilhões (44%) deles.
A suspeita do investigador é que um gestor atuou na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com suspeitos de fraude e lavagem de dinheiro.
A empresa do setor financeiro também foi alvo da operação Carbono Oculto, que investiga a máfia dos combustíveis e ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Principais investimentos do Master
Ao longo do período informado pela Receita, o Mestre fez aplicações bilionárias em dois fundos em que aparece como dono. Um dos fundos é da Reag e o outro do Trustee. Ao todo, apenas essas duas aplicações totalizaram R$ 4,9 bilhões.
Quem mais recebeu foi o fundo de investimento de direito creditório (FIDC) Scarlet, administrado pela Reag. O pagamento total foi de R$ 2,5 bilhões.
Este tipo de fundo tem como objetivo aplicar em direitos a receber como duplicatas, cheques e empréstimos.
Já o outro fundo que recebeu aporte bilionário do Master foi Montenegro FIDC, administrado pelo Trustee. Ao todo, o banco inveja R$ 2,4 bilhões ao longo do período.
Diferentemente do Scarlet FIDC, que tem cinco cotistas, o Montenegro tem apenas um cotista, cujo titular é o Master.
Principal investimento de Vorcaro
O principal fundo destinatário dos recursos de Vorcaro foi o Hans II FIP MULT, de propriedade da Reag Trust, que faz parte do grupo Reag.
O fundo é comandado por João Mansur, suspeito de fazer parte da lavagem de dinheiro feita por Vorcaro e pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os fundos, consta a participação que o banqueiro tem no clube de futebol Atlético-MG, por meio do fundo Galo Forte FIP, que recebeu um aporte de Vorcaro de R$ 240 milhões e em dezembro de 2025 tinha um patrimônio avaliado em R$ 293 milhões.
O Hans II é um fundo de investimento em participações (FIP) multiestratégia, que são condomínios fechados para uma quantidade definida de pessoas e que possibilitam investir todo o capital aportado por seus cotistas em ativos no exterior.
O fundo possui 28 cotas, entre elas, Vorcaro. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o patrimônio líquido do fundo era de R$ 3,6 bilhões em 31 de dezembro de 2025.
Desse total, R$ 1,2 bilhão foram enviados por Vorcaro.
A principal função deste fundo era investir em outro fundo, o Jaya, que, por sua vez, aplicava recursos no Jade. Este último concentrou investimentos, principalmente, em ações da Golden Green Participações, empresa ligada à família Vorcaro que atua com crédito de carbono.
De acordo com o Valor Investe, em fevereiro o fundo Jade atualizou o valor que tinha investido na Golden Green, passando de R$ 14,3 bilhões, para zero, após reportagens mostrarem que, mesmo cientes da fraude nos ativos, a Reag e os investidores mantiveram a avaliação patrimonial bilionária do fundo Jade inalterada ao longo de 2025.
Com isso, em um efeito, o valor patrimonial do fundo Hans II passou de R$ 3,6 bilhões para R$ 83 milhões.
As operações apresentam a declaração de Imposto de Renda de 2024, enviada pela Receita Federal à CPMI do INSS, onde o banqueiro detalha os lucros obtidos com vendas de ativos em 2023.
➡️Em 27 de dezembro de 2023, Vorcaro efetua a compra de cotas do fundo Hans II no valor de R$ 2,5 milhões.
➡️No dia seguinte, 28 de dezembro, o banqueiro vende esses ativos para o fundo Itabuna por R$ 294,5 milhões, tendo um ganho de capital de quase R$ 292 milhões.
A operação demonstrada no documento mostra que, em 24 horas, os ativos de Vorcaro aumentaram 116 vezes o preço e tiveram uma valorização de 11,474%.
No mesmo ano, Vorcaro lucrou R$ 150 milhões em uma semana vendendo cotas do Hans II para outro fundo administrado pela Reag, o Astralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I, conhecido como Astralo 95.
No dia 31 de maio, Vorcaro adquiriu as cotas do Hans II ao custo de R$ 10 milhões.
Uma semana depois, no dia 7 de junho, vendeu esses ativos para o Astralo 95 por R$ 160 milhões, 16 vezes o preço pago. O número representa uma valorização de 1500%.
Como mostrei o g1Vorcaro transferiu R$ 700 milhões em ativos do banco Master para uma offshore com sede nas Ilhas Cayman em 2025.
A maior parte desse montante, R$ 555,7 milhões, foram necessários pelo GSR Fundo de Investimento, cujo acionista único é justamente o Astralo 95.
Somando as duas operações, o banqueiro teve um lucro de R$ 441.955.496,90, 36 vezes o capital investido e uma valorização de 3,523%.


