A alta do petróleo provoca uma ocorrência em cadeia: encarece os insumos que são usados para fabricar os produtos que as pessoas compram.
Guerra diretamente entre setores da indústria que usam derivados de petróleo como matéria-prima
A guerra no Oriente Médio afeta diretamente setores da indústria brasileira que usam petróleo como matéria prima.
A viagem que já era longa ficou ainda mais demorada. Do petróleo vem a parafina, que é uma fábrica de velas importada da China. Mas, antes, o óleo bruto tem que chegar lá para ser refinado – e é aí que a guerra no Irã provoca atrasos e desabastecimento.
“Os navios chegaram em uma quantidade muito menor. Então, por exemplo, a gente comprou 15 toneladas. Agora, eu consigo comprar e não sei quando terei a possibilidade de comprar outras cinco toneladas”, conta Claudia Callé, dona de fábrica de velas.
É por isso que o depósito tem espaço de sobra, e a parafina que tem custou caro. Os donos da fábrica contam que o aumento foi de 40% em março.
“Gera um aumento do produto para o consumidor final. E sem a matéria-prima, a gente tem um problema com a demanda de produção. A incerteza do que vai ser e segurar toda uma empresa, todo um quadro de funcionários”, diz Claudia Callé.
A parafina é um derivado direto do petróleo e, por isso, o preço subiu junto com a cotação do barril. Esse aumento também chega a outras derivadas do petróleo que entram na fabricação dos plásticos que embalam alimentos, dos canos usados na construção civil, das autopeças e até dos silos que armazenam os grãos do agronegócio. A alta do petróleo provoca uma ocorrência em cadeia: encarece os insumos que são usados para fabricar os produtos que as pessoas compram.
Guerra no Oriente Médio afeta setores diretamente da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
É assim também com a indústria têxtil, que utiliza muita fibra sintética, como o poliéster e o náilon. O estoque é de uma malharia em São Paulo. A fábrica não quis correr o risco de ficar sem matéria-prima e fez uma reserva bem grande. Comprou fios para quatro meses de produção. O diretor da fábrica diz que escapou da falta de material, mas não do aumento no preço.
“Uma parte a gente absorveu, infelizmente. Outra parte, a gente teve que repassar para os clientes”, afirma Renato Bitter, diretor de fábrica.
E mesmo com uma nova tabela de preços, as encomendas feitas pelas confeções aumentadas nas últimas semanas – empresas que importavam tecidos e estão com problemas para receber.
“Me parece que os fretes aumentados, também eles têm dificuldade de encontrar, estão faltando. Então, eles sabem que aqui eles vão receber. Inclusive por outras situações que já existem, pandemia e tal, sabem que aqui nunca falta”, diz Renato Amargo.
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