Depois do fracasso nas negociações de paz com o Irã, o presidente dos Estados Unidos decidiu atacar, publicamente, o Papa. Donald Trump o chamou de fraco e péssimo em política externa. Leão XIV reagiu. Respondeu que não tem medo do governo Trump; disse que não vai recuar e afirmou que a missão da Igreja é defender a paz.
Eram 3h, no horário de Roma, quando o presidente dos Estados Unidos atacou publicamente. O alvo era o Papa Leão XIV, americano de Chicago. Donald Trump chamou o Papa de fraco e disse que ele é péssimo em política externa. Críticas suas posições sobre guerra, segurança e armas nucleares:
“Não quero um Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela”.
Donald Trump disse que a Venezuela envia drogas e liberta criminosos:
“Eu não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual foi eleito” – uma referência à operação militar que capturou o ditador Nicolás Maduro, em janeiro de 2026.
Afirmou que, sem ele na Casa Branca, Leão XIV não estaria no Vaticano, e que o Papa foi escolhido por ser americano.
Uma segunda postagem trouxe uma imagem gerada por inteligência artificial em que o presidente aparecia como Jesus Cristo, curando um doente. Horas mais tarde, Trump apagou a imagem. Por volta das 14h, disse que era uma referência ao trabalho da Cruz Vermelha:
“Eu estava como um médico, ajudando as pessoas. O Papa é contrário à posição americana no Irã e os Estados Unidos não podem aceitar um Irã com armas nucleares. Não tenho o que me desculpar”, disse Trump.
A resposta do Papa veio durante o voo para a África:
“Não tenho medo do governo Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho”.
O Papa disse que não vai recuar e que a missão da Igreja é defender a paz:
“A mensagem do Evangelho – bem-aventurados os pacificadores – é o que o mundo precisa ouvir hoje. E continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”.
O Papa também foi questionado sobre o fato de Donald Trump ter feito os ataques por meio de uma rede social criada pelo presidente em 2022: a Verdade Social. “Verdade” quer dizer “verdade”:
“É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada”, completou o Papa.
A tensão entre Trump e o Papa já vem aumentando nas últimas semanas, em meio à guerra no Oriente Médio. Na terça-feira (7), Donald Trump escreveu que ou o Irã aceitaria um cessar-fogo ou uma civilização inteira morreria naquela noite. O Papa se posicionou:
“Essa ameaça contra o povo do Irã é realmente inaceitável”, disse Leão XIV.
Os ataques de Trump, especialmente os desta segunda-feira (13), repercutiram em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, os bispos católicos defenderam o Papa e classificaram a guerra como injusta. Na Europa, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chamou as declarações de Trump de “inaceitáveis”. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que, enquanto algumas guerras espalham, o Papa promove a paz. No Oriente Médio, o presidente do Irã falou que a profanação da imagem de Jesus não é aceitável para nenhuma pessoa livre. No Brasil, a CNBB também manifestou apoio e defendeu uma mensagem de paz e diálogo.
Leão XIV chegou nesta segunda-feira (13) a Argel, primeira parada de uma viagem por quatro países africanos, e manteve o tom:
“Hoje isso é mais urgente do que nunca, diante das visíveis do direito internacional e das tendências neocoloniais”.
O episódio reforça o carisma do Papa Leão XIV em um momento de grande tensão internacional, enquanto busca reduzir o conflito no Oriente Médio e garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Nesse cenário, o Vaticano volta a ocupar um papel central na defesa da diplomacia e da paz.

