O caso dele foi contado pelo g1 em março, quando uma doença foi descoberta a partir de uma dor nas costas que, na verdade, era uma fratura causada por metástases de um melanoma. À época, os exames mostravam um cenário grave, com tumores dispersos por diferentes órgãos.
Agora, os novos exames revelaram um contraste marcante.
As lesões desapareceram completamente em alguns locais —como pulmões e intestino— e reduziram em outros, como fígado, ossos e linfonodos. A resposta foi considerada acima do esperado pela equipe médica.
“Ela disse que só tinha boas notícias e que a melhoria foi maior do que imaginava”, relata Rodrigo.
A trajetória de Rodrigo começou de forma silenciosa. Sem manchas na pele —o sinal mais conhecido do melanoma—, a doença evoluiu sem ser percebida até provocar uma fratura na coluna.
A partir de Dali, exames revelaram um câncer disseminado. O diagnóstico confirmou um melanoma amelanóticoum subtipo que não produz melanina e pode dificultar o reconhecimento precoce.
Com a doença já em estágio avançado, o tratamento foi iniciado imediatamente com imunoterapia — uma estratégia que estimula o sistema imunológico a respeito e atacar as células tumorais.
Exames mostram regressão ampla da doença
O primeiro PET-CT, realizado em janeiro, indicava alta atividade tumoral em múltiplos órgãoscom lesões em pulmões, fígado, intestino, rins e ossos, além de linfonodos comprometidos.
Já o exame mais recente, feito no início de abril, mostra desaparecimento completo dos nódulos pulmonares e resolução de lesões intestinais. Também não foram mais identificadas alterações nos enxágues.
Nas demais áreas, como fígado, ossos e linfonodos, as lesões persistem, mas com redução significativa tanto no tamanho quanto na atividade metabólica —um dos principais indicadores usados para avaliar a resposta ao tratamento.
ℹ️ Esse tipo de exame utiliza um marcador chamado SUV (valor de coleta), que indica o quanto as células estão consumindo glicose —um sinal indireto de atividade tumoral.
⬆️Quanto maior esse valor, maior tende a ser a atividade do câncer.
No caso de Rodrigo, houve queda expressiva nesses índices.
No cérebro, a resposta também foi consistente. A ressonância magnética mostra redução nas dimensões de todas as lesões metastáticas, algumas já de difícil identificação, além de diminuição do edema ao redor dos tumores e ausência de novas áreas afetadas.
O que explica esse tipo de resposta
O melanoma é um dos tumores que mais se beneficia da imunoterapia. Isso ocorre porque, em geral, é um subtipo que apresenta um grande número de mutações, o que facilita o reconhecimento das células tumorais pelo sistema imunológico quando os “freios” desse sistema são removidos.
Os medicamentos usados atuam nesses mecanismos de bloqueio. Ao liberar a ação das células de defesa, permite que o próprio organismo passe a atacar o câncer.
Nem todos os pacientes respondem da mesma forma, e o efeito pode variar ao longo do tempo. Ainda assim, as respostas como a observada —com regressão ampla em poucos ciclos— são consideradas um sinal positivo de controle da doença.
Rodrigo Bulso faz imunoterapia a cada três semanas — Foto: Arquivo Pessoal
Tratamento e a vida que volta
Além dos exames, a melhora também aparece no cotidiano.
Rodrigo voltou à academia, recuperou peso e retomou a rotina de exercícios. Os efeitos colaterais da imunoterapia foram, até agora, limitados principalmente a situações na pele —um quadro considerado manejável.
Ele diz que, hoje, se sente “como se não tivesse nada”.
A expectativa, agora, é dar continuidade ao tratamento. Na fase inicial, ele recebeu a combinação de nivolumabe e ipilimumabe —dois imunoterápicos usados em conjunto em casos mais avançados.
A partir daqui, o protocolo passa a ser feito apenas com nivolumabeem doses maiores e com transferências mais longas entre as aplicações. Novos exames estão previstos para os próximos meses.
Apesar dos avanços, o acesso à imunoterapia ainda é limitado na rede pública. Hoje, o Sistema Único de Saúde (SUS) indica esse tipo de tratamento principalmente para casos de melanoma cutâneo avançado. Ainda assim, a oferta não é uniforme e depende de fatores como disponibilidade local e financiamento.
A indicação formal não garante que o tratamento esteja disponível para todos os pacientes. A entrada principal é o modelo de custeio da oncologia pública, que funciona com valores fixos por procedimento — o que dificulta a incorporação de medicamentos de alto custo.
Diante disso, parte dos pacientes recorre à Justiça, a estudos clínicos ou à rede privada para obter acesso ao tratamento.

