Num relatório sobre Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros, que abrange o primeiro trimestre deste ano, o Banco Central aponta que 14,47 por cento do crédito concedido pelo Banco Comercial de Investimento (BCI) estava em incumprimento a 31 de Março, mas outros bancos apresentavam rácios acima dos cinco por cento recomendados.
“Esta percentagem representa o dinheiro que os clientes não conseguiram reembolsar ao banco no prazo acordado. Quando a percentagem sobe, significa maior pressão sobre os bancos e maior dificuldade na concessão de novos empréstimos ao público e às empresas”, lê-se no relatório.
“O aumento destas dívidas vencidas está muitas vezes ligado a fatores como as dificuldades financeiras das famílias, a queda do rendimento das empresas, o aumento do custo de vida e a instabilidade em determinados setores da economia”, acrescenta o relatório.
No entanto, diz o documento, o BCI reforçou as suas reservas internas para cobrir potenciais perdas, atingindo um rácio de cobertura de 21,03 por cento, numa tentativa de mitigar o impacto destes incumprimentos.
De acordo com o relatório, o Millennium-BIM teve um melhor desempenho ao reduzir o seu rácio de crédito malparado para 2,37 por cento, abaixo do valor anterior de 2,69 por cento. Este banco também aumentou o seu rácio de cobertura para 86,57 por cento, indicando uma posição mais segura para lidar com eventuais incumprimentos.
No entanto, o Moza Banco reduziu o seu rácio de crédito malparado de 29,21 por cento para 27,58 por cento, o que ainda representa um elevado nível de crédito a recuperar, “mas há sinais de melhoria”.
Por seu lado, o Access Bank manteve a mesma percentagem do período anterior, em 6,96 por cento, ainda acima do limite recomendado pelo Banco Central.
“O FNB registou 4,66 por cento, o Standard Bank apenas 0,64 por cento, o First Capital Bank registou 1,66 por cento e o Absa Bank 4,15 por cento – tudo dentro de limites seguros”, lê-se no documento.
No último ano, o crédito malparado situou-se em 30 mil milhões de meticais (469,4 milhões de dólares ao câmbio actual), o que corresponde a 9,32 por cento.
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