GOVERNO VOLTA ATRÁS: CONCURSOS SUSPEITOS DO PROJECTO MOVE SÃO DESBLOQUEADOS APÓS INVESTIGAÇÃO

O Ministério dos Transportes e Logística decidiu levantar a suspensão de quatro concursos ligados ao Projecto MOVE, na Área Metropolitana de Maputo, após semanas de dúvidas, suspeitas e pressão silenciosa nos bastidores do sector.

A decisão surge depois de uma investigação interna conduzida por uma Comissão de Inquérito criada na sequência da suspensão preventiva dos processos — uma medida que, na altura, levantou fortes indícios de irregularidades num dos projectos mais sensíveis da mobilidade urbana no país.

O QUE ESTAVA EM CAUSA?

Os quatro concursos dizem respeito à contratação de serviços de consultoria para a implementação do Projecto MOVE — uma iniciativa estratégica para reorganizar o transporte público na Grande Maputo, historicamente marcado por desordem, operadores informais e fraca fiscalização.

A suspensão inicial não aconteceu por acaso. Nos corredores institucionais, havia receios claros de falhas nos procedimentos de procurement, possível favorecimento e falta de rigor técnico — problemas antigos que continuam a perseguir a gestão de grandes projectos públicos em Moçambique.

INVESTIGAÇÃO: IRREGULARIDADES “SANÁVEIS”, MAS ALERTAS MANTÊM-SE

Após análise técnica e jurídica — incluindo normas alinhadas com o Banco Mundial — a Comissão concluiu que existem irregularidades, mas classificou-as como “sanáveis”.

Na prática, isto significa que:

  • Houve falhas no processo
  • Mas, segundo o Governo, não comprometem a legalidade
  • Nem foram encontrados indícios formais de corrupção

Ainda assim, esta conclusão levanta dúvidas legítimas: até que ponto irregularidades repetidas continuam a ser tratadas como meros erros administrativos?

DECISÃO POLÍTICA: SUSPENSÃO LEVANTADA E PROCESSOS RETOMADOS

Com base no despacho de 6 de Abril de 2026, o ministro ordenou:

  • O levantamento imediato da suspensão
  • A retoma dos quatro concursos
  • A implementação das recomendações da Comissão

O argumento oficial é o reforço do rigor e da conformidade. Mas, na prática, o Governo optou por avançar com o mesmo processo que anteriormente considerou problemático.

CONTEXTO: UM PADRÃO QUE SE REPETE

A história não é nova.

Nos últimos anos, vários projectos públicos em Moçambique têm seguido um padrão semelhante:

  1. Lançamento de concursos com falhas
  2. Suspensão por suspeitas ou pressão institucional
  3. Investigação interna
  4. Retoma com “correções”

Este ciclo levanta uma questão estrutural: o problema está nos procedimentos ou no sistema que os permite?

O QUE ESTÁ EM JOGO?

O Projecto MOVE não é apenas mais um programa. Trata-se de uma tentativa de reorganizar o transporte urbano numa das regiões mais congestionadas e economicamente críticas do país.

Qualquer falha aqui tem impacto direto:

  • Na mobilidade dos cidadãos
  • Nos custos de transporte
  • Na confiança pública nas instituições

O Governo garante transparência, integridade e boa governação. Mas a realidade mostra um sistema que continua a corrigir erros depois de os cometer — e não antes.

A suspensão caiu. Os concursos avançam.
A dúvida permanece: desta vez será diferente — ou apenas mais do mesmo?

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