Governo afirma novamente que não há escassez de combustível – aimnews.org

Maputo, 19 Abr (AIM) – O governo moçambicano afirmou sábado mais uma vez que não existe uma verdadeira escassez de combustível no país.

Durante a semana passada, todos os dias os porta-vozes do governo afirmaram que há gasolina e gasóleo suficientes no país para satisfazer a procura actual e sugeriram sombriamente a acumulação por parte dos retalhistas. No entanto, apesar destas garantias, as filas de veículos sedentos de combustível continuaram a acumular-se nos postos de abastecimento em Maputo e noutras cidades.

Na manhã de sábado brigadas do Ministério dos Recursos Minerais e Energia visitaram os postos de abastecimento de Maputo para perguntar porque é que estão a ficar sem combustível. Segundo uma reportagem do diário independente “O Pais”, mediram a quantidade de combustível que havia nos tanques e confrontaram os gestores. As equipes ministeriais exigiram ver a documentação de quanto combustível cada um dos postos havia adquirido.

A Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Conhete, disse aos jornalistas categoricamente “não, não, não! Não há crise de combustível, porque temos combustível! O combustível está nos portos”.

“Há comportamento anormal nas bombas de combustível”, afirmou Conhete. “Embora haja combustível nos tanques, esse combustível aparentemente não está chegando às bombas. Por isso montamos equipes para verificar se os valores solicitados pelos lojistas estão realmente chegando às bombas de combustível”.

Ela alegou que a crise foi provocada pelas distribuidoras e ameaçou medidas duras contra elas.

Os postos de abastecimento da zona de Maputo adquirem o seu combustível no terminal oceânico do porto da Matola. Assim, não deverá haver qualquer escassez nos postos de abastecimento na área de Maputo/Matola. “Estamos aqui para entender o que está acontecendo na cadeia de distribuição desse combustível”, disse Conhete. “Nesta bomba notamos que há algumas discrepâncias entre o que foi solicitado e o que realmente chegou nas bombas. Tomamos nota, temos os registros, sabemos qual distribuidora abastece essa bomba”.

“Vamos interagir com esse distribuidor”, prometeu. “Vamos trabalhar para descobrir por que esse combustível realmente não está sendo distribuído”.

“Essas filas não fazem sentido”, disse Conhete, “porque o combustível já saiu do porto. Então o nosso trabalho é descobrir onde está o gargalo”. Ela ameaçou ser “implacável” com os distribuidores de combustíveis que violassem as regras estabelecidas pelo Ministério.

O esquema informal de racionamento implementado em muitos postos de abastecimento, segundo o qual cada automobilista só pode comprar 1.000 meticais de combustível (o suficiente para 12 litros, foi uma iniciativa dos gestores dos postos, disse ela, e nada tem a ver com o governo.

Os postos de abastecimento estão a receber menos combustível do que pediram, acrescentou, pelo que os gestores decidiram limitar a quantidade que cada cliente pode comprar, para que todos possam receber algum combustível. Conhete acredita que esse racionamento terminará assim que os postos receberem o valor solicitado.

A notícia de que o Estreito de Ormuz estava novamente aberto espalhou-se rapidamente no sábado, aumentando as esperanças de que a crise tivesse acabado. Mas, como os Estados Unidos se recusaram a levantar o bloqueio aos portos iranianos, o Estreito foi rapidamente fechado novamente.
(MIRAR)
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