Segundo o ministro, que falava segunda-feira na cerimónia de abertura do Encontro Nacional de Saúde Animal, que decorreu em Maputo, sob o lema “Fortalecer a Saúde Animal para Garantir a Saúde Pública e a Segurança Alimentar”, a medida é crucial para fortalecer a soberania sanitária e reduzir a dependência das importações num contexto de constrangimentos globais no fornecimento destes insumos.
“Prevemos um investimento de aproximadamente 600 mil dólares para a retoma da produção de vacinas contra o antraz e o antraz sintomático, e para a preparação da produção da vacina contra a doença de Newcastle”, disse.
O ministro explicou que a decisão surge num momento em que o mercado internacional enfrenta limitações na disponibilidade de vacinas veterinárias, situação que afecta vários países africanos e expõe a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento globais.
“O mundo enfrenta uma crise global de saúde animal. A disponibilidade de vacinas é muito limitada, e isso obriga-nos a reforçar a nossa capacidade de produção interna. A dependência das importações tem dificultado a resposta atempada às campanhas de vacinação e o controlo das doenças que afectam a população pecuária nacional”, afirmou.
Albino acredita que a dependência dos mercados externos compromete a saúde animal e a produção pecuária, o que significa que “o investimento na saúde animal não deve ser entendido como uma despesa, mas sim como um investimento estrutural para a economia nacional”.
“É um investimento na economia, na saúde pública, na segurança alimentar e no futuro do país. O subsector pecuário desempenha um papel fundamental na economia rural, contribuindo para a geração de rendimento, emprego e segurança alimentar para milhares de famílias moçambicanas”, afirmou o ministro.
A aposta na produção nacional de vacinas surge também como resposta à necessidade de garantir maior previsibilidade e autonomia do sistema veterinário, num contexto onde a escassez global de vacinas se tornou cada vez mais evidente.
Por seu lado, Cláudia Pereira, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura em Moçambique (FAO), disse que a sua organização continuará a apoiar o fortalecimento dos serviços veterinários e a melhoria das capacidades nacionais para a prevenção e controlo de doenças animais.
Pereira destacou que a saúde animal é crucial para a segurança alimentar, a saúde pública e a resiliência dos sistemas agroalimentares, enfatizando a importância do investimento contínuo no setor.
Ela também defendeu o fortalecimento da abordagem “Uma Só Saúde”, que integra a saúde animal, humana e ambiental, como resposta aos crescentes desafios associados às doenças zoonóticas, às alterações climáticas e à resistência antimicrobiana.
(MIRAR)
SN/Am/



