A província de Manica acolhe, desde esta segunda-feira, a primeira conferência provincial sobre biodiversidade, numa altura em que crescem os desafios ligados à conservação ambiental e ao conflito entre o homem e a natureza. Paralelamente, o Niassa avança com metas ambiciosas para a campanha de comercialização agrícola de 2026, prevendo um aumento significativo da produção e do escoamento de produtos agrários.
Ciência e Conservação Ambiental em Manica
O encontro, que decorre na cidade de Chimoio, reúne académicos, investigadores, ambientalistas e entidades governamentais para discutir os principais problemas que ameaçam o equilíbrio ecológico da província. Entre os temas em destaque figuram o desflorestamento, as queimadas descontroladas, a degradação ambiental e a caça furtiva.
Durante a abertura da conferência, o Secretário de Estado na província de Manica, Lourenço Lindondé, defendeu um maior envolvimento das instituições académicas na busca de soluções sustentáveis para os desafios ambientais.
Segundo o governante, cabe às universidades e centros de investigação aprofundar o conhecimento científico sobre os problemas ambientais, produzir diagnósticos consistentes e apresentar soluções concretas que beneficiem as comunidades.
“É papel das universidades e centros de pesquisa aprofundar o conhecimento, diagnosticar os problemas e propor soluções”, afirmou Lindondé, sublinhando que a conservação ambiental depende da capacidade das novas gerações em transformar ciência em acções práticas.
A conferência é promovida pela Universidade Zambeze, em parceria com o Instituto Superior Politécnico de Manica e o Parque Nacional de Chimanimani, instituições que defendem uma abordagem integrada entre investigação científica, educação ambiental e preservação dos recursos naturais.
Niassa Projecta Crescimento na Comercialização Agrícola
Enquanto isso, na região de Malica, província do Niassa, foi lançada oficialmente a campanha de comercialização agrícola 2026, com o objectivo de fortalecer o rendimento das famílias produtoras e dinamizar a economia rural.
As projecções indicam que a província pretende comercializar 889.799 toneladas de produtos diversos, representando um crescimento de 3% em relação à campanha anterior.
Entre os produtos prioritários destacam-se o milho e o feijão, culturas consideradas estratégicas para a segurança alimentar e geração de renda. Para sustentar este volume, a campanha contará com o apoio de 397 unidades de processamento, além de financiamento direccionado aos agentes económicos envolvidos na comercialização.
O governo provincial assegura ainda uma capacidade de armazenagem de cerca de 105 mil toneladas, considerada essencial para garantir estabilidade no escoamento e conservação da produção agrícola.
Desenvolvimento Sustentável como Prioridade
Os dois acontecimentos reflectem diferentes dimensões do desenvolvimento sustentável em Moçambique. Em Manica, o foco recai sobre a preservação dos ecossistemas e a valorização da ciência como instrumento de protecção ambiental. Já no Niassa, a prioridade concentra-se no fortalecimento da produção agrária e na expansão da capacidade comercial.
Especialistas entendem que a articulação entre conservação ambiental e crescimento económico será determinante para garantir segurança alimentar, protecção dos recursos naturais e melhoria das condições de vida das populações rurais.








