Investimento Estrangeiro em Moçambique atinge 5,6…

Maputo, 13 Mai (AIM) – O Banco de Moçambique, no seu papel de regulador do sistema financeiro nacional, anunciou que o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) no país atingiu 5,6 mil milhões de dólares em 2025, o que corresponde a um aumento de 60,2 por cento.

Num relatório, o Banco de Moçambique explica que o aumento foi influenciado pelos Grandes Projectos (GP) e pela indústria extractiva. “A evolução crescente do IDE proveniente do GP, observada nos últimos anos, é essencialmente justificada pelo aumento da entrada de capitais associados aos projectos da indústria do petróleo e gás, com foco nas actividades de prospecção e investigação de hidrocarbonetos na bacia do Rovuma, além da revitalização da indústria do carvão e das areias pesadas”, lê-se no relatório.

Ao longo dos últimos anos, diz o documento, o fluxo de empresas que não integram a categoria GP “apresentou um comportamento misto, tendo registado, em 2021, o seu ponto mais alto como reflexo dos investimentos realizados para responder à procura do GP, na componente de transportes, armazenamento e comunicações”.

Em 2024, o IDE total em Moçambique cresceu 41,5 por cento, correspondendo a 3,5 mil milhões de dólares.

“Em termos de distribuição sectorial do IDE, a indústria extractiva manteve a sua posição como o maior destinatário de fluxos de investimento, totalizando 5,2 mil milhões de dólares, representando 91,5 por cento do IDE total e um aumento de 68,2 por cento face a 2024. Seguiu-se a indústria transformadora, com 120,9 milhões de dólares, equivalente a 2,1 por cento do IDE total, uma queda de 10,4 por cento num ano”, lê-se no documento.

Por outro lado, as actividades imobiliárias, de arrendamento e de serviços empresariais registaram uma entrada de 66,4 milhões de dólares, equivalente a 1,2 por cento do IDE total, aumentando 17,9 por cento.

O banco central acredita também que o país, em 2026, registará IDE de 5,8 mil milhões de dólares, impulsionado por projectos de gás natural. Este crescimento será “influenciado pela implementação de projetos estruturais na bacia do Rovuma, para a produção de gás natural liquefeito (GNL), segundo os documentos de suporte do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026, citados pela Agência Notícias Portuguesa (LUSA).

Moçambique tem três megaprojectos de desenvolvimento aprovados para a exploração de reservas de GNL na bacia do Rovuma, classificada entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Um destes projectos é liderado pela gigante francesa TotalEnergies e outro pela americana ExxonMobil (18 mtpa), avaliado em 30 mil milhões de dólares, que aguarda decisão final de investimento, ambos em Afungi.

A isto soma-se o projeto da empresa italiana Eni, que desde 2022 produz cerca de sete mtpa a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicado a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares.

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