Sem Dhlakama, oposição em Moçambique vive “degelo completo”

Analista diz que oposição perdeu força após morte de Dhlakama

A passagem do oitavo aniversário da morte de Afonso Dhlakama, assinalada a 3 de Maio, reacendeu o debate sobre o estado actual da oposição em Moçambique. Ao mesmo tempo, trouxe novas reflexões sobre o papel histórico do antigo líder da Renamo.

“Degelo completo”: o retrato actual da oposição em Moçambique

Durante o programa A Semana, o analista Salomão Moyana descreveu Dhlakama como um “líder carismático” e um “mestre” na organização política e militar. Segundo explicou, a ausência do antigo dirigente criou um vazio difícil de preencher dentro do maior partido da oposição.

Além disso, Moyana defendeu que, desde a morte de Dhlakama em 2018, na Serra da Gorongosa, a Renamo “descaracterizou-se profundamente”. Por outro lado, acrescentou que o partido passou a ser visto como uma força de “barulho”, sem a mesma consistência estratégica.

Nesse sentido, o analista sublinhou que ainda não surgiu uma figura capaz de substituir o carisma e o conhecimento do terreno deixados por Dhlakama. Entretanto, recordou que até o actual Presidente da República, Filipe Nyusi, reconheceu o valor do antigo adversário. De acordo com Moyana, Nyusi chegou a referir-se a Dhlakama como um “professor” em matérias de organização militar.

Por outro lado, a análise recupera momentos de forte tensão política e militar. Entre eles, destaca-se a emboscada de Zipinga, em 2015. Ainda assim, o foco recai sobre a mudança de postura adoptada posteriormente pelo chefe de Estado.

“O próprio presidente, depois dessas emboscadas todas, veio a compreender que não era possível vencer Dhlakama pela via armada”, afirmou Moyana. Além disso, o analista elogiou a decisão de Nyusi de se deslocar à Gorongosa. Segundo disse, o gesto permitiu avançar com um entendimento de paz de forma informal e prática.

Por fim, Moyana considera que o país vive actualmente um cenário de “degelo completo” na oposição. Nesse contexto, argumenta que os novos líderes não conseguem afirmar-se nos principais debates nacionais. Consequentemente, a oposição enfrenta dificuldades em recuperar relevância política no país.

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