O boato espalhou-se por grande parte do norte e centro de Moçambique e tornou-se letal à medida que linchamentos são formados para caçar as alegadas “bruxas”. O pânico já causou a morte de pelo menos 19 pessoas até agora.
Os rumores, reminiscentes da caça às bruxas na Europa medieval, parecem ter chegado a Moçambique vindos da Tanzânia. Os primeiros casos moçambicanos foram notificados na província de Cabo Delgado, no norte, e posteriormente espalharam-se para a Zambézia, Nampula e Sofala.
Num comunicado, a CNDH alerta que o medo, a desinformação e a ausência de respostas coordenadas podem agravar a violência e enfraquecer a coesão social e o Estado de direito.
“Nenhuma crença, superstição ou acusação popular pode justificar atos de violência contra qualquer cidadão”, declarou a CNDH. “Condenamos veementemente os linchamentos, as agressões físicas e os atos de justiça popular. Apelamos à polícia e aos tribunais para que investiguem e responsabilizem os perpetradores”.
A CNDH apela também ao governo para que reforce uma resposta institucional coordenada em diferentes sectores, incluindo os meios de comunicação social, líderes comunitários, autoridades de saúde e polícia, com acções urgentes de esclarecimento público e prevenção da violência.
“A CNDH apela à calma, ao repúdio à violência e à justiça popular, e insta a que quaisquer suspeitas sejam comunicadas às autoridades competentes”, lê-se na nota.
O governo já criou uma comissão para avaliar a situação, alegando que “não há provas científicas para estas superstições”.
(MIRAR)
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