MOÇAMBIQUE NA VANGUARDA TECNOLÓGICA: Menor Electronics lança “Celeste Pro” e desafia gigantes globais

O cenário tecnológico moçambicano testemunhou um marco histórico com o lançamento no Sábado(25.04.2026) do Menor All In One Pro, também designado “Celeste Pro”. O novo computador de alto desempenho promete colocar a indústria local em rota de colisão com as maiores marcas internacionais, apresentando especificações de topo que incluem um monitor curvo de 34 polegadas e uma configuração de hardware robusta, desenhada para criadores e profissionais exigentes.

A VISÃO DO FUNDADOR: UMA MARCA PARA O UNIVERSO

António Mondlane, CEO da Menor Electronics

António Mondlane, CEO da Menor Electronics, abriu o evento reforçando o compromisso da sua empresa com a inovação contínua. Dois anos após o seu primeiro grande lançamento, a empresa regressa com produtos renovados. “Viemos mostrar que temos trabalhado de forma incansável, temos de dar continuidade àquilo que é o nosso propósito”, afirmou Mondlane, sublinhando que a nova linha apresenta uma “nova estrutura, uma nova engenharia e uma nova arquitectura”.

Com mais de 2.200 unidades já vendidas, o CEO traça metas ambiciosas, visando atingir 5 milhões de unidades até 2030 e expandir a marca para além-fronteiras. Mondlane revelou ainda que a empresa está a construir um edifício na Matola, previsto para inaugurar em Novembro, que albergará um laboratório onde engenheiros locais desenvolverão tecnologia do zero. “Daqui a 9 anos, em 2035, queremos fazer tudo aqui”, projectou, mencionando o uso de materiais recicláveis como alumínio e plásticos.

“O MELHOR DESKTOP DO UNIVERSO”: POTÊNCIA E DESIGN

Durante a apresentação detalhada do equipamento, o entusiasmo de Mondlane foi evidente ao descrever o Celeste Pro como “o melhor desktop do universo”. O dispositivo destaca-se pelo monitor curvo ultra-wide de 34 polegadas, com resolução de 3440 por 1440 e suporte a 4K, oferecendo uma imersão total com 1,07 mil milhões de cores.

No interior, a máquina é equipada com 32GB de RAM e um sistema de duas placas gráficas: uma RTX 3060 de 12GB e uma RTX 4060 de 8GB, proporcionando uma “potência gráfica feita para criar, para explorar, para construir e para jogar sem limites”. O ecossistema é completado pelo Skyboard Pro e Sky Mouse Pro, periféricos que oferecem até 100 dias de uso com uma única carga. Mondlane recordou que a empresa nasceu com apenas 50 meticais, movida pela máxima de Mahatma Gandhi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

O APOIO DO SETOR FINANCEIRO E A VOZ DOS REVENDEDORES

A relevância do projecto atraiu a atenção de instituições financeiras. J.M, gestora do BCI, marcou presença para reiterar o apoio à marca. “É um evento que para nós é de grande valia, principalmente por ser um moçambicano a inovar”, declarou Mauel, acrescentando que o banco acompanha a marca há anos para “elevar ao mais alto nível esta marca”. Para a gestora, a montagem apresentada é a prova de que o sonho moçambicano pode tornar-se realidade, mostrando que o país está “competitivo ao nível internacional”.

Na vertente comercial, José Martinho, revendedor de tecnologia, classificou o lançamento como algo “extraordinário e incrível”. Martinho apelou ao consumo interno para fortalecer a economia nacional: “Consumir aquilo que é nosso produto… ajuda o nosso país a desenvolver e poder vender para os outros países”, comparando a ambição da Menor à de gigantes como a Samsung.

INOVAÇÃO E DESAFIOS ESTRUTURAIS

Onofre, colaborador próximo do projecto, destacou a versatilidade de Mondlane, que actua tanto na tecnologia como na indústria pesada com a “Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana. Para ele, o Celeste Pro não é um projecto estagnado, mas sim um sucesso em marcha. “É o bebé do país. É o primeiro a lançar um produto made in Moçambique… requer muita parte de hardware e software”, explicou, instando o governo a abraçar a causa de um jovem que está a preparar um laboratório nacional para aconselhar outros inventores.

Menor Lift”, a primeira empilhadora moçambicana

Osvaldo Muzambwa, que assistiu à apresentação pela primeira vez, confessou-se “estupefacto e admirado”, afirmando que a qualidade do produto “não parece algo moçambicano”. Mozamba defendeu que o Estado tem o dever de promover estas iniciativas, sugerindo a criação de estágios pré-profissionais na Menor Electronics para multiplicar este espírito inovador entre os jovens.

APELO À VALORIZAÇÃO DO CONTEÚDO LOCAL

Edson Almeida, amigo de longa data do inventor e CEO da ME António Mondlane

Apesar do sucesso técnico, o evento foi também palco de desabafos sobre a falta de apoio institucional. Edson Almeida, amigo de longa data do inventor, lamentou a ausência de grandes empresas nacionais e do Estado. “É uma pena que ainda uma parte do nosso estado não apoie e não esteja aqui para verificar o que é que está a ser feito”, criticou, notando que empresas de telefonia e bancos continuam a importar marcas como HP e Dell em detrimento da produção local. Almeida sublinhou que a Menor Electronics oferece qualidade superior a preços mais acessíveis, desafiando as “leis” de um país onde muitas vezes se privilegia o imediato sobre a inovação.

Edson, profissional da área gráfica e utilizador de monitores de 34 polegadas, reforçou este sentimento de abandono institucional. “Ao ver que a sala não esteve cheia para um evento tão grande como este… entristece”, desabafou. Ele argumentou que comprar localmente é uma questão de soberania económica: “Quando a gente tira o nosso recurso financeiro e vai comprar um produto fora, a gente está a levar a nossa economia para entregar fora”. Edson concluiu com um apelo para que o Estado e as empresas não deixem os jovens desistirem por falta de incentivo, lembrando que a Menor Electronics não pede esmola, mas sim que o seu produto seja valorizado no mercado.

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