Pânico, Boatos e Medo: Governo Desmente “Magia Negra” em Cabo Delgado

Pânico, Boatos e Medo: Governo Desmente “Magia Negra” em Cabo Delgado

Entre o medo colectivo e a imaginação sem travões, Cabo Delgado mergulhou numa onda de rumores que mais parecem saídos de histórias de fogueira — mas com consequências reais e graves.

O Governo provincial, através do sector da Saúde e da Polícia da República de Moçambique, veio a público travar o alarme: não existe qualquer “toque mágico” capaz de provocar o alegado encolhimento de órgãos genitais masculinos.

Apesar do desmentido, o estrago já está feito. Desde 20 de Abril, o que começou como boato transformou-se num fenómeno de pânico social colectivo — daqueles que se espalham mais rápido que notícia confirmada.

Segundo o director do Serviço Provincial de Saúde, Edson Fernando, as acusações de feitiçaria já resultaram em cinco mortes. Os episódios foram registados nos distritos de Mocímboa da Praia, Ancuabe, Montepuez e Metuge.

Cinco mortes por algo que, segundo as autoridades, não existe. É aqui que o drama deixa de ter graça.

Do lado da ordem pública, o comandante provincial da PRM, Assane Nyito, confirmou que já deram entrada no Ministério Público nove processos-crime, envolvendo 25 suspeitos, ligados a 16 episódios de violência.

Traduzindo: o boato ganhou pernas, braços… e tribunais.

E enquanto se procura culpados invisíveis, há consequências bem visíveis. O medo já chegou às escolas. Alunos faltam às aulas, não por doença, não por greve, mas por receio de algo que ninguém conseguiu provar — mas muitos já juram ter visto, ouvido ou “sentido”.

No fim, fica uma lição antiga, mas constantemente ignorada: quando o medo toma conta, a razão sai pela porta dos fundos. E, nesse vazio, qualquer história — por mais absurda que pareça — ganha força suficiente para virar tragédia.

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