Este projecto, que é coordenado pelo Ministério das Finanças de Moçambique, está orçado em 15 milhões de dólares americanos desembolsados pelo Banco Mundial.
A iniciativa visa formar, financiar e preparar as pequenas e médias empresas (PME) para as integrar nas cadeias de abastecimento das grandes empresas de Moçambique, com destaque para o Corredor Logístico de Nacala, na província nortenha de Nampula.
Durante três dias de trabalho intensivo, uma missão do Banco Mundial manteve reuniões com agências de desenvolvimento, nomeadamente a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), bem como com as PME beneficiárias.
A agenda incluiu visitas de acompanhamento a projectos nos distritos de Chiúre e Pemba, onde se observaram progressos significativos em termos de produtividade, competitividade e integração nas cadeias de valor associadas aos megaprojectos de gás natural que operam na bacia do Rovuma.
Segundo Laurent Corthay, chefe da missão do Banco Mundial, o desempenho robusto das empresas apoiadas está diretamente ligado à qualidade da liderança empresarial na identificação de oportunidades de mercado.
“Vimos um desempenho muito forte das empresas visitadas. O elemento chave é a liderança, empreendedores com visão clara, planos de negócios consistentes e capacidade de atender à demanda do mercado”, afirmou.
Além do financiamento, o Banco Mundial tem investido fortemente na capacidade técnica e de formação das empresas. Até Abril de 2026, mais de 7 000 microempresas e aproximadamente 700 PME tinham concluído programas de formação.
Está também prevista a primeira ronda de bolsas para 300 empresas de um total de 500, bem como apoio técnico a 61 PME para certificação internacional ISO 9001, reforçando a sua integração em mercados mais exigentes.
Entre os casos de sucesso observados está a Madopera Comercial, com sede no distrito de Chiúre, que recebeu uma subvenção de 250 mil dólares. A empresa expandiu significativamente sua capacidade de produção de fubá e ração animal de 10 para 50 toneladas por dia.
Actualmente, posiciona-se como um fornecedor relevante para megaprojectos, cadeias comerciais e unidades de saúde na província. “Com os recursos que recebemos, estamos construindo armazéns e investindo em equipamentos para aumentar a produção e expandir nossos negócios”, garantiu o CEO da empresa, Conde Madopera.
Outro projecto digno de nota é o da MozCon, única empresa da região dedicada à gestão e reciclagem de resíduos sólidos perigosos provenientes de megaprojectos.
Com um financiamento de 400 mil dólares, a empresa está a implementar uma unidade de incineração e uma inovadora unidade de pirólise capaz de transformar resíduos plásticos em combustível.
Este investimento não só responde às exigências ambientais da indústria do petróleo e do gás, mas também contribui para a redução da poluição e a criação de emprego, empregando já mais de 100 trabalhadores.
Abordando os projectos, o chefe dos escritórios da ADIN em Pemba, Nocif Magaia, disse que, no geral, os projectos financiados pelo Banco Mundial em Cabo Delgado reforçam o papel do sector privado como motor de desenvolvimento.
“Estas empresas estão a criar empregos e a trazer soluções sustentáveis para a província. Reafirmamos o nosso compromisso de continuar a procurar soluções financeiras para apoiar o desenvolvimento da região, com foco na estabilidade económica, inclusão social e oportunidades de emprego”, disse.
(MIRAR)
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