Maputo, 28 Abr (AIM) – O ministro da Agricultura de Moçambique, Roberto Albino, acredita que o país possui oportunidades férteis para empresas interessadas em investir na produção e comercialização de sementes certificadas.
Segundo o ministro, que falava numa Conferência sobre Parcerias Público-Privadas (PPP), organizada pela “Business & Legal Magazine”, os agricultores afectados pelas cheias deste ano estão expostos a limitações na produção nacional e “isto cria oportunidades claras para o sector privado investir num segmento com elevada procura”.
“Precisamos adquirir cerca de 170 mil kits de insumos agrícolas para os agricultores afectados pelas cheias e em situações de emergência. Apenas 20 por cento destes kits foram garantidos com insumos produzidos internamente, o que demonstra que existe um amplo espaço de mercado para as empresas interessadas em investir na produção e comercialização de sementes certificadas”, afirmou.
O ministro apelou ainda à reativação de “ativos públicos atualmente subutilizados”.
“Os investidores interessados têm as portas 100 por cento abertas ao diálogo com o Governo”, afirmou.
“O governo tem mecanismos que permitem apoiar rapidamente o investimento neste sector. Menos de 30 por cento dos activos públicos estão operacionais. Mas estão a funcionar abaixo de 20 por cento da sua capacidade, o que provoca um desperdício significativo de recursos”, afirmou.
Segundo Albino, as pequenas e médias empresas (PME) podem aproveitar muitas oportunidades na agricultura. “Com menos de 500 mil dólares é possível iniciar e desenvolver um negócio, sobretudo num contexto em que o governo está a rever o regime das PPP, com vista a torná-lo mais inclusivo, transparente e competitivo”, afirmou o ministro.
Por seu lado, Álvaro Massingue, presidente da Confederação das Associações Empresariais (CTA) do país, afirmou que o risco macroeconómico associado à escassez de moeda estrangeira (em particular dólares americanos), a pressão sobre a dívida interna e a volatilidade do ambiente de negócios representam um grande desafio para o potencial das PPP.
“Persistem limitações na capacidade técnica de preparação, estruturação e negociação de projetos, o que muitas vezes compromete o seu financiamento”, afirmou. “Além disso, a lentidão dos procedimentos, a baixa taxa de conversão dos projetos em implementação efetiva e a necessidade de reforçar a transparência e a previsibilidade continuam a ser obstáculos significativos”.
Explicou que em muitos casos não é a falta de interesse que limita o investimento, mas “a falta de projetos bem elaborados e estruturados”. Ele apelou a uma nova geração de “projectos mais estratégicos, mais transparentes e mais orientados para os resultados”.
(MIRAR)
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