China ultrapassa EUA e muda equilíbrio económico global

A China já superou os Estados Unidos como maior economia do mundo quando medida por paridade de poder de compra (PPC). A avaliação é do economista Paulo Nogueira Batista Júnior, antigo director do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo o especialista, Pequim domina actualmente fluxos relevantes do comércio global. Além disso, o avanço económico chinês representa uma mudança estrutural no sistema internacional. Para Washington, trata-se de uma inversão histórica de posições.

Impacto na hegemonia global

Paulo Nogueira Batista Júnior afirma que os Estados Unidos enfrentam dificuldades para manter a liderança. O economista considera que o país reage à perda de influência:

“Os americanos estão muito abalados com a ameaça que o crescimento da China representa.”

Na sua análise, a potência norte-americana tenta compensar o recuo económico com maior assertividade externa. Essa postura, segundo o especialista, aumenta tensões geopolíticas.

Dólar sob pressão internacional

Entretanto, o economista aponta sinais de mudança no sistema financeiro global. Vários países estão a reduzir a dependência do dólar.

De acordo com Nogueira:

“Os americanos e europeus abusaram do poder de emitir moeda internacional.”

Assim, bancos centrais passam a diversificar reservas. O ouro surge como alternativa. Além disso, países como Rússia e China reforçam transacções em moedas nacionais.

Sanções aceleram mudanças

Por outro lado, sanções económicas e congelamento de activos também influenciam esta transição. Essas medidas aumentam a desconfiança no sistema financeiro dominado pelo Ocidente.

Como consequência, cresce o movimento de desdolarização. Este processo pode alterar o equilíbrio monetário global nos próximos anos.

Brasil e desafios de soberania

O economista também analisou o papel do Brasil. Segundo ele, o país enfrenta fragilidades na defesa da sua soberania.

Nogueira defende maior investimento em capacidade estratégica. Para o especialista, isso inclui tecnologias de defesa e poder de dissuasão.

Mudança estrutural em curso

Por fim, o economista alerta que a transição global não depende apenas de líderes políticos. A rivalidade entre grandes potências tende a persistir.

Assim, o avanço da China e a reacção dos Estados Unidos indicam uma transformação profunda. O equilíbrio económico e político mundial está em reconfiguração.

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