Maputo, 5 de Agosto de 2026 — O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou esta quarta-feira, em Maputo, a I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades, um encontro inédito que reúne, pela primeira vez desde a Independência Nacional, os 1.132 Chefes das Localidades do País, com o objectivo de reforçar a capacidade de governação ao nível da base e aproximar o Estado das populações.
Na cerimónia de abertura, o Chefe do Estado classificou o encontro como “um marco simbólico da história da Administração Local”, sublinhando que as localidades representam o primeiro ponto de contacto entre o Estado e os cidadãos.
“É com grande satisfação e sentido de Estado que nos dirigimos aos participantes desta Primeira Reunião Nacional dos Chefes das Localidades, um marco simbólico da história da Administração Local, em mais de 50 anos da nossa Independência Nacional“, afirmou Daniel Chapo.
Segundo o Presidente da República, a realização desta reunião pretende consolidar uma cadeia de governação centrada no cidadão, conferindo maior protagonismo aos dirigentes locais na implementação das políticas públicas.
“A Localidade é o escalão de base da organização administrativa do território nacional e o primeiro ponto de contacto entre o Estado e o povo“, declarou, acrescentando que foi precisamente por reconhecer esse papel que o Executivo decidiu reunir “numa mesma sala” todos os Chefes das Localidades do País.
Chefes das Localidades chamados a ouvir e servir o povo

Durante a sua intervenção, Daniel Chapo recordou que o Chefe da Localidade deve ser o principal interlocutor entre o Governo e as comunidades, cabendo-lhe escutar as preocupações das populações e procurar soluções para os problemas locais.
Evocando o discurso de investidura, o Presidente reiterou que o exercício da função pública deve assentar no serviço ao cidadão.
“Quem ocupar um cargo público terá de estar disponível para ouvir, servir e responder às preocupações do Povo. Estamos aqui para servir e não nos servir“, enfatizou.
O Chefe do Estado explicou que a reunião permitirá avaliar de que forma os dirigentes locais têm materializado esse princípio, apesar das limitações existentes.
“Realizamos esta Reunião Nacional dos Chefes das Localidades para avaliarmos, em conjunto, como é que efectivamente o Chefe da Localidade tem estado a materializar este comando de ‘ouvir, servir e responder às preocupações do Povo’“, afirmou.
Desenvolvimento local exige iniciativa e liderança

Ao longo do discurso, Daniel Chapo defendeu uma liderança activa nas localidades, considerando que os Chefes locais não devem limitar-se ao cumprimento de orientações administrativas.
“O Chefe da Localidade não deve ser um agente passivo e mero espectador dos processos, que fica à espera de orientações superiores“, advertiu.
Na mesma linha, apelou aos dirigentes para deixarem marcas concretas de desenvolvimento nas comunidades onde exercem funções.
“Cada Chefe da Localidade aqui presente deve actuar com dinamismo, criatividade e, durante o seu mandato, deve deixar marcas positivas de desenvolvimento nas comunidades da Localidade onde estiver a trabalhar“, declarou.
Segundo o Presidente, esse trabalho deve envolver líderes comunitários, organizações da sociedade civil, agentes económicos, jovens, mulheres e líderes religiosos, numa lógica de governação participativa.
“O Chefe da Localidade seja um líder capaz de aglutinar todas as sensibilidades em torno de uma agenda de desenvolvimento comum“, sustentou.
Capacitação em nove áreas estratégicas

Durante os quatro dias da reunião, os participantes serão capacitados em nove domínios considerados essenciais para a administração local, nomeadamente governação e administração pública, planificação e orçamento, desenvolvimento do capital humano, gestão da terra e dos recursos naturais, desenvolvimento local, participação comunitária, monitoria, gestão de desastres naturais, ordem e segurança públicas, entre outras matérias.
De acordo com Daniel Chapo, a intenção é garantir que todos os Chefes das Localidades regressem às suas áreas de jurisdição melhor preparados para coordenar processos de desenvolvimento e articular-se com os diversos sectores do Estado e parceiros locais.
Reconhecimento aos dirigentes e desafios persistentes

O Presidente dedicou uma parte significativa do discurso ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos Chefes das Localidades, destacando particularmente aqueles que exercem funções em Cabo Delgado.
“Com ataques esporádicos de terroristas, mas, mesmo assim, com muito sacrifício, empenho, dedicação, responsabilidade e competência, continuam a trabalhar com o nosso povo… verdadeiros heróis do desenvolvimento deste nosso Moçambique“, afirmou.
Apesar desse reconhecimento, admitiu que persistem vários obstáculos ao funcionamento das localidades, entre os quais a escassez de recursos humanos e financeiros, meios de trabalho insuficientes, infra-estruturas precárias, impactos das mudanças climáticas, conflito homem-fauna bravia, terrorismo, desinformação, manifestações violentas e práticas de corrupção nos serviços públicos.
Meta é fortalecer a governação de proximidade

Daniel Chapo concluiu manifestando confiança de que a formação permitirá reforçar a capacidade dos Chefes das Localidades para implementarem os programas estruturantes do Governo e responderem com maior eficácia às necessidades das comunidades.
“Os Chefes das Localidades de Moçambique estarão melhor preparados para coordenar os processos de desenvolvimento local, de modo a satisfazer as necessidades das comunidades“, declarou.
No encerramento da cerimónia, o Presidente da República declarou oficialmente aberta a I Reunião Nacional dos Chefes das Localidades, deixando uma mensagem de mobilização dirigida aos participantes:
“Com estas palavras… declaro oficialmente aberta a Primeira Reunião Nacional dos Chefes das Localidades. Muito obrigado pela atenção. Vamos Trabalhar!“
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