Equatorial e acionistas da Aegea entregam propostas para disputar privatização da Copasa

Equatorial e acionistas da Aegea entregam propostas para disputar privatização da Copasa


O posto de investidor de referência da Copasaestatal mineira de saneamentoserá disputado pela Equatorial e por um consórcio formado pela Aegea e seus acionistas: Equipav, GIC (fundo soberano de Singapura) e Itaúsa. A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.

As propostas foram entregues nesta segunda-feira (25) e incluem o valor por ação que cada grupo está disposto a pagar para arrematar 30% da companhia. O finalista —que o Governo de Minas Gerais deve anunciar nesta quarta (27)— será quem tiver oferecido o maior preço.

Após a divulgação, a gestão mineira também deve abrir a etapa de oferta ao mercado geral, no processo de “bookbuilding”, em que investidores indicam a quantidade de ações que querem comprar. Essa fase vai distribuir outros 15% da Copasa e será concluída na próxima terça-feira (2).

Vista aérea mostra tanques circulares de uma estação de tratamento de água com braços azuis giratórios. Canal com água flui ao lado da instalação, cercado por vegetação.

Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais)

Caso o processo de bookbuilding seja finalizado com uma precificação maior do que a ofertada pelo candidato a acionista de referência, todos os 45% serão diluídos na Bolsa, e o sócio estratégico será desclassificado. Ou seja, se o mercado oferecer pagar mais por ação do que a Equatorial ou o consórcio da Aegea, a privatização da Copasa vai ser concluída no formato de corporation, sem um controlador definido.

Segundo pessoas a par do processo, a liquidação das ações está prevista para acontecer no dia 8 de junho.

Nesta terça, a Itaúsa anunciou que apresentou proposta na Copasa através de um veículo de investimentos. Cada acionista da Aegea (Equipav, Itaúsa e GIC) tem aproximadamente 33% nesse veículo, enquanto a Aegea tem 1%.

A Aegea já era apontada como uma das candidatas a participar da privatização. Um consórcio com os acionistas também era esperado, já que a companhia vem passando por um escrutínio do mercado após reapresentar seu balanço financeiro de 2024 com uma baixa contábil de R$ 5 bilhões.

Já a Equatorial era sondada para disputar o posto de acionista de referência em parceria com a Sabesp. No entanto, segundo pessoas a par do processo, a companhia de saneamento de São Paulo desistiu da operação.

A decisão veio pouco depois de o CEO da Sabesp, Carlos Piani, demonstrar insatisfação com o modelo da privatização da estatal mineira. Segundo ele, o timing estaria muito corrido, e os riscos envolvendo o projeto seriam maiores.

Em São Paulo, a Equatorial é o investidor de referência da Sabesp. A companhia —originalmente do setor de energia— arrematou 15% da Sabesp na privatização em julho de 2024 e assumiu a operação em conjunto com o Governo de São Paulo.

Folha Mercado

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“A iniciativa evidencia os objetivos de longo prazo da Aegea e o seu posicionamento como uma plataforma relevante no setor de saneamento, reforçando o pilar de disciplina financeira com foco em preservação de liquidez e estrutura de capital adequada”, escreveu a Aegea a investidores.

Em nota a Equatorial disse estar sempre atenta às oportunidades em suas áreas de atuação, mas que não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições.

Já a Copasa disse que o Governo de Minas Gerais está em período de silêncio devido ao processo de oferta pública.

“Para assegurar o estrito cumprimento das diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários e evitar interpretações que possam comprometer o rito legal da oferta, estamos momentaneamente impossibilitados de nos manifestar sobre temas relacionados à operação ou ao desempenho da companhia”, disse.

Na opinião de Christianne Dias, diretora-presidente da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), o interesse de dois participantes é um resultado positivo para o processo de privatização da Copasa.

“O pessoal costuma comentar a pouca concorrência no setor de saneamento, mas não vejo dessa maneira. Todos os leilões acabam tendo entrantes, mas, pela natureza do ativo, vão selecionando os grupos que têm apetite para determinado tipo de risco, volume de investimento”, diz.


RAIO-X | COPASA

  • Fundação: 1963
  • Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
  • Funcionários: 9.400
  • Municípios atendidos: 636

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