De acordo com o III Censo Agrícola (CAP 2023/24), realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a terra actualmente cultivada corresponde a 17,8 por cento do total de terra arável disponível no país.
O inquérito foi realizado entre Dezembro de 2024 e Maio de 2025, abrangendo 142 dos 161 distritos do país, o equivalente a 88,2 por cento de cobertura territorial. Seis distritos da província nortenha de Cabo Delgado não foram abrangidos pela insegurança causada pelo terrorismo islâmico.
Segundo Salim Valá, ministro da Planificação e Desenvolvimento, falando quinta-feira, em Maputo, durante a apresentação da PAC 2023/24, estes números representam desafios estruturais e o enorme potencial de transformação do sector agrícola moçambicano.
“O facto de apenas cerca de 17,8 por cento da terra arável disponível ser actualmente cultivada demonstra inequivocamente que Moçambique continua a possuir uma das maiores reservas estratégicas de potencial agrícola no continente africano”, afirmou.
O ministro acredita que o futuro da transformação económica do país dependerá da capacidade de converter a agricultura de subsistência em agricultura comercial, resiliente e de orientação agroindustrial.
Segundo o documento, Moçambique tem aproximadamente 5,2 milhões de explorações agrícolas, das quais 99,9 por cento são pequenas e médias explorações agrícolas. Mais de 84 por cento das explorações agrícolas têm menos de dois hectares, o que continua a limitar os níveis de produtividade e o acesso à assistência técnica. A pesquisa aponta também que 38 por cento das explorações agrícolas são chefiadas por mulheres.
No subsector da pecuária, o documento aponta para uma população nacional estimada em cerca de 2,4 milhões de bovinos, 4,2 milhões de caprinos e aproximadamente 16 milhões de frangos de raças locais.
O PAC 2023/24 também pesquisou 42.657 explorações agrícolas e pecuárias, incluindo 36.213 pequenas explorações, 5.561 explorações médias e 883 grandes explorações.
Pela primeira vez, Moçambique desagregou os dados agrícolas e pecuários até ao nível distrital, o que é considerado um importante passo em frente no planeamento de políticas públicas destinadas à segurança alimentar, ao desenvolvimento rural e ao investimento agrícola.
Por sua vez, o representante do Banco Mundial em Moçambique, Rinku Murgai, considerou que o documento representa “muito mais do que um exercício estatístico. Os novos dados poderão apoiar a identificação de cadeias de valor prioritárias, fortalecer os programas de produtividade agrícola e orientar os investimentos no sector”.
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