Roberto Martínez: «Foi uma semana muito difícil, com barulho injusto»

Roberto Martínez: Foi uma semana muito difícil, com barulho injusto


Na conferência de imprensa após o triunfo sobre o Uzbequistão (5-0), Roberto Martínez assumiu que a Seleção é melhor quando consegue «controlar as emoções».

– Portugal marcou muito cedo, mas, desta vez, não relaxou e fez mais quatro gols. É aquilo que leva de mais importante desse jogo?
– Acho que sim, mas controlar as emoções foi o segredo. No primeiro jogo, marcamos o gol e perdemos o controle do que queríamos fazer, na disciplina de nossas posições. Hoje, ao contrário, seguimos até o intervalo com clareza no que precisávamos fazer. Além disso, os cinco jogadores que entraram continuaram com uma disciplina tática muito importante e isso faz toda a diferença. Mas enfatizo que controlar as emoções é ainda mais importante.
– Como é que em tão pouco tempo foi possível melhorar tanto?

– É muito trabalho durante os últimos 41 jogos, não é só os últimos dias. Os últimos dias serviram para alinhar conceitos, focar exatamente no que é importante agora. Mas o trabalho da equipa, por exemplo, na bola parada, vem de trás. Foram dias muito importantes, a nível psicológico. O grupo ficou muito responsável, fechou-se do barulho de fora e acho que isso fez com que o balneário se tornasse mais forte, mais unido, para poder controlar as emoções. Porque esta é uma equipa que tem uma flexibilidade táctica e qualidade individual que nos permitem ter um desempenho como o de hoje. Marcar o segundo golo ajudou e o golo ter sido anulado ao Uzbequistão também. No outro jogo, não foi anulado e isso mudou o jogo. No geral, estou muito satisfeito, porque aprendemos rapidamente as lições do que fizemos mal durante o primeiro jogo.
– Cristiano Ronaldo foi o melhor em campo. Qual o comentário à sua exibição e vê com naturalidade as comparações com Lionel Messi?
– São jogadores que mudaram e melhoraram o futebol, e que precisaram da sua rivalidade para constantemente continuarem a crescer. Sobre o nosso capitão, há o aspeto de ser o ícone, que está a no seu sexto Mundial, mas depois há o capitão da Seleção. É um exemplo do que representa jogar pela Seleção. Hoje não foram só os dois golos marcados, foi o número de oportunidades, as posições, o abrir espaço para os colegas, o ter uma disciplina incrível para poder ser uma referência no padrão de ataque. Temos uma ideia de jogo de controlo de bola, de arriscar, de criar superioridade numérica, mas precisas de um marcador, precisas do jogador na área que abre a linha defensiva, que termina o jogo e a posse de bola. Estou muito contente por ele, merece isto, mas eu já sei que ele está a recuperar e a preparar o próximo jogo. E é essa simplicidade que faz com que seja único.
– Os jogadores foram todos a correr para o Austin MacPhee no terceiro golo. O segundo também foi ensaiado. Qual é a importância dele?
– Acho que os jogadores entendem muito o trabalho deles. A bola parada para Austin é uma obsessão e ele transmite essa visão de poder marcar gols na bola parada. Achei que foi muito bonito ver a comemoração dos jogadores e reconhecer o trabalho feito por Austin. É um trabalho difícil porque é chato. Os jogadores também precisam de muita concentração, muito foco, e foi fantástico ver o perigo que criamos. Não só os dois gols que fizemos de bola parada, mas o perigo de todas as bolas paradas, porque é uma sincronização, é uma ideia coletiva e muito bem executada.

– O Cristiano Ronaldo faou de uma semana«escura», depois do jogo com a RD Congo. Como é viu o capitão neste período?
– Não conseguimos o resultado pelo qual nós trabalhamos e criou-se uma situação que é difícil porque há barulho. Barulho que foi injusto, ‘fake news’, aspectos que foram mal intencionados. Mas depois também tivemos muito apoio e muita força. Estamos falando só do barulho negativo, mas tivemos muita força também e muita união de portugueses que amam a Seleção, que percebem que a Seleção é uma lição de vida, que nem tudo é fácil e tem momentos difíceis. Você precisa de coragem, precisa de personalidade e precisa se levantar, e foi isso que nossos jogadores fizeram. Depois de um resultado assim, é fácil ter uma desculpa, olhar para outro lugar, mas nossos jogadores se concentraram e tiveram uma atitude incrível. Mostramos raiva, ficamos doentes, mas o resultado foi crescer como equipe, melhorar muito em administrar emoções durante os jogos na Copa do Mundo e poder continuar sendo o que somos durante os 90 minutos. Cristiano foi um capitão exemplar, focado no que pode controlar e também usou sua experiência.

– Como está a ser feita a gestão de Cristiano Ronaldo?
– É um jogador que, no seu clube, joga tudo. Foi uma época com muitos minutos, mas está fresco e fazemos a gestão jogo a jogo, treino a treino, avaliando tudo o que acontece. Hoje a sua posição no campo foi um problema para o Uzbequistão, a linha defensiva trocou posições… Foi um verdadeiro problema e, quando isso acontece, precisamos de o utilizar.


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