Os Emirados Árabes Unidos decidiram abandonar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) após 60 anos de alinhamento. A decisão estratégica entra em vigor a 1 de maio e promete abalar o mercado global de energia.
Golpe duríssimo na liderança do cartel
Segundo Tanguy Baghdadi, professor de política internacional, esta saída representa um “golpe duríssimo” para a organização. O país detém 15% da produção total do grupo, o que enfraquece significativamente o cartel.
“A OPEP já vinha de um relativo enfraquecimento e esta saída é mais um degrau que a organização desce”, explicou o especialista. Para Baghdadi, o movimento sinaliza uma busca por maior autonomia económica e novas parcerias.
Conflito de cotas e tensão regional
A rutura é alimentada por uma frustração antiga dos Emirados com as restrições impostas à produção de barris. Enquanto a Arábia Saudita defende preços elevados, os Emirados pretendem exportar volumes maiores para ganhar mercado.
“Para os Emirados Árabes Unidos, não vale a pena perder espaço no mercado para manter o petróleo valorizado”, afirmou o mestre em relações internacionais. O país planeia atingir a marca de 5 milhões de barris diários até 2027.
Vitória estratégica para o governo americano
A saída é vista como uma vitória para Donald Trump, que acusa a OPEP de inflacionar preços artificialmente. O aumento da oferta de petróleo pode reduzir os custos de energia e aliviar a inflação nos Estados Unidos.
Contudo, Baghdadi alerta que esta “pequena vitória” pode ser insuficiente para travar a queda de popularidade de Trump. “É uma iniciativa pontual tentando resolver problemas estruturais muito graves”, concluiu o analista.
A mudança ocorre num contexto de alta tensão no Estreito de Ormuz, onde o abastecimento global enfrenta ameaças constantes. O novo cenário reforça a aproximação entre os Emirados Árabes, Israel e Washington.
Fonte: G1 (O Assunto)








