A Ásia está emergindo como uma força crucial na transição global para uma energia mais verde e de baixo carbono, passando de “o maior centro de consumo de energia tradicional” para “líder no desenvolvimento de energia limpa”, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Fórum de Boao para a Ásia (BFA).
Intitulado “Desenvolvimento Sustentável: Ásia e o Mundo – Relatório Anual 2026 – Desenvolvimento Sustentável na Ásia em meio à Transformação Global”, o relatório destaca a crescente importância da região na definição da transição energética global.
O texto observa que a digitalização e as transições ecológicas estão lançando as bases para um novo “Milagre Asiático”.
O papel da Ásia na transição global para a energia verde é crucial, visto que abriga a maior população do mundo, gera cerca de metade do PIB global e responde por mais da metade do consumo mundial de energia.
Em toda a região, China, Índia, Japão, República da Coreia, ASEAN e países do Golfo estão desenvolvendo energias renováveis, como a solar e a eólica, levando em consideração as condições locais, ao mesmo tempo que avançam em tecnologias, incluindo hidrogênio, modernização da rede elétrica e captura, utilização e armazenamento de carbono, com a economia verde apresentando forte impulso de crescimento, afirma o relatório.
Os números ilustram essa mudança. A capacidade instalada de geração de energia na Ásia ultrapassou 5,3 terawatts, sendo que as energias renováveis representam 2,67 terawatts, ou cerca de metade do total. Como resultado, a região agora representa 58% da capacidade global instalada de energia renovável.
“A transição verde da Ásia, particularmente a transição energética, está se aprofundando e posicionando a região como uma força global pioneira”, disse Li Baosen, vice-secretário-geral da Organização Global para o Desenvolvimento e Cooperação da Interconexão Energética (GEIDCO), uma das organizações que contribuíram para o relatório.
Durante esse processo, a China se destaca como um fator-chave, acrescentou Li. “Em 2025, a capacidade total instalada de energia limpa da China atingiu 2,4 bilhões de quilowatts, representando aproximadamente 45% do total global.”
“Notavelmente, a capacidade combinada de energia eólica e solar da China ultrapassou, pela primeira vez, a de energia térmica, uma expansão que destaca a crescente contribuição da China para a transformação energética tanto na Ásia quanto no mundo”, acrescentou Li.
Entretanto, a região também está avançando rapidamente em tecnologias verdes emergentes, posicionando-se como uma potencial líder. Em 2025, os investimentos da Ásia em tecnologias relacionadas à energia solar, energia eólica, baterias e energia de hidrogênio representaram 65%, 64%, 41% e 48% do total global, respectivamente, desempenhando um papel crucial na aceleração do avanço de tecnologias globais de baixo carbono, de acordo com o relatório.
Apesar dos progressos significativos, o relatório também destaca que a Ásia ainda enfrenta limitações, incluindo a dependência arraigada de combustíveis fósseis, a infraestrutura de redes elétricas subdesenvolvida e as lacunas no financiamento verde. Esses fatores, observa o relatório, podem retardar o ritmo da transição se não forem abordados por meio de políticas e investimentos coordenados.
Para superar esses obstáculos, o relatório defende uma mudança rumo a sistemas energéticos definidos pela predominância de energias limpas, maior eletrificação, interconectividade mais robusta e eficiência mais inteligente. Insta os países asiáticos a adotarem trajetórias de transição adequadas às suas condições nacionais, ao mesmo tempo que fortalecem a coordenação regional.
Fundada em 2001, a BFA é uma organização internacional não governamental e sem fins lucrativos comprometida com a promoção da integração econômica regional e com a aproximação dos países asiáticos às suas metas de desenvolvimento.
Com o tema “Moldando um Futuro Compartilhado: Novas Dinâmicas, Novas Oportunidades, Nova Cooperação”, a Conferência Anual da BFA 2026 acontece de 24 a 27 de março em Boao, cidade litorânea na província insular de Hainan, no extremo sul da China.





