JÜRGEN Habermas, filósofo alemão e figura central do pensamento contemporâneo, morreu aos 96 anos em Starnberg, Alemanha, segundo confirmou a sua editora Suhrkamp Verlag este sábado, na rede social Bluesky.
Nascido em 1929, em Düsseldorf, Habermas tornou-se um dos intelectuais mais influentes do século XX e início do XXI. É um dos raros filósofos ainda vivos cuja obra era unanimemente reconhecida como estrutural para a filosofia, teoria social, comunicação e pensamento político.
Há décadas que Habermas é considerado um clássico do pensamento contemporâneo: participou em todos os principais debates do pós-guerra e considerava a Europa como o único remédio para a ascensão do nacionalismo, notou a agência France-Presse. Ao longo da sua vida, ligou filosofia e política, pensamento e acção. A sua autoridade moral valeu-lhe inúmeras distinções em todo o mundo.
O seu nome ficou associado a conceitos que se tornaram referências globais, nomeadamente a ética discursiva (que defende que normas políticas e sociais devem ser construídas através de processos racionais e participativos no espaço democrático), a esfera pública (sobre a formação da opinião e da deliberação na sociedade moderna) e o agir comunicacional (conceito com o qual reformulou e modernizou a herança da Escola de Frankfurt).
Nos seus últimos anos, dedicou-se à promoção de um projecto federal europeu, para evitar que o Velho Continente recaísse nas rivalidades nacionalistas do século XX. Depois de ter sido a voz dos protestos estudantis alemães na década de 1960, tornou-se alvo dos mesmos trinta anos depois, ao denunciar os riscos do “fascismo de esquerda” para o Estado de Direito.
Em 1989, criticou os métodos de reunificação alemã, que considerava impulsionados sobretudo pelas forças de mercado e que tinham “o marco alemão como a sua bandeira”.
Nascido em 18 de Junho de 1929, Jürgen Habermas foi membro da Juventude Hitleriana, mas era demasiado jovem para ter participado activamente na guerra. Na adolescência, foi profundamente afectado pelo colapso do nazismo.
Habermas vivia em Starnberg, era marido de Ute Wesselhoeft, falecida em 2025, e pai de três filhos: Tillmann, Rebekka (1959–2023) e Judith.
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