Pânico e desinformação marcam fenómeno de “encolhimento” no norte de Moçambique
Uma onda de boatos sobre o suposto encolhimento mágico de órgãos genitais masculinos está a gerar pânico no norte e centro de Moçambique. Como consequência, já foram registados cerca de 20 assassinatos e linchamentos.
Segundo relatos, o fenómeno terá tido origem na Tanzânia. Entretanto, espalhou-se rapidamente por várias regiões. Entre elas estão Palma, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia. Além disso, os relatos indicam que até um empresário de renome foi vítima desta onda de violência.
O analista Salomão Moyana classificou estas alegações como “boatos de inverno”. Segundo explicou, este tipo de fenómeno é cíclico e já ocorreu noutras ocasiões. Por exemplo, recordou episódios ligados ao “chupa-sangue” e à desinformação sobre contaminação de água com cólera.
Nesse sentido, Moyana alertou para a gravidade da situação. Para o analista, o problema revela falhas profundas na educação cívica. “Isto é um boato que tem de ser desmentido em toda a dimensão… por todos os homens de bem”, apelou. Além disso, instou líderes políticos e tradicionais a intervirem activamente na reposição da verdade.
Por outro lado, a comunidade médica também reagiu. O Bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique, Gilberto Manhiça, garantiu que o fenómeno não tem qualquer base científica.
Ao mesmo tempo, a Metrama procurou esclarecer a população. Segundo a organização, a sensação de encolhimento pode resultar de um “reflexo psicossomático”. Ou seja, trata-se de uma resposta do corpo ao medo extremo. No entanto, não corresponde a uma condição física real provocada por terceiros.
Por fim, especialistas alertam que a desinformação continua a ser um factor de risco. Assim, defendem campanhas urgentes de sensibilização para evitar novos casos de violência.





