Guerra americana contra o Irão afecta Porto de Maputo – aimnews.org

Maputo, 23 Abr – Osório Lucas, presidente da Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), anunciou que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão está a afectar as operações de movimentação de carga do porto, uma vez que há atrasos na entrada e saída de camiões devido à escassez de combustível na região.

Cerca de 80 por cento das importações de combustíveis de Moçambique passam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, o que significa que o impacto da guerra no Médio Oriente é potencialmente desastroso para a economia do país.

O Estreito de Ormuz – responsável pelo fluxo diário de quase 20% das vendas mundiais de petróleo – foi bloqueado, impedindo a passagem de navios que transportam gás e petróleo.

Segundo o Importador de Petróleo do país (IMOPETRO), Moçambique deixou de importar combustíveis do Médio Oriente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, e tem recorrido a outras rotas.

O presidente do MPDC, falando quarta-feira na 9ª Conferência Bianual do Porto de Maputo, em Maputo, disse que embora o impacto da guerra seja gradual, já está a prejudicar as operações logísticas.

“Atualmente estamos a sofrer atrasos operacionais. Por exemplo, estamos a descarregar um navio com cerca de 25 mil toneladas de arroz, o que exige um fluxo constante de camiões para recepção e expedição”, disse, e todos esses camiões necessitam de combustível.

Explicou que a crise dos combustíveis também está a afectar a eficiência operacional ao prolongar o tempo que os navios passam nos portos.

“Um navio pode custar entre 15 mil e 25 mil dólares por dia. Se o tempo de operação passar de três para cinco dias, há custos adicionais. Além disso, os custos de frete aumentaram, passando de cerca de 20 para mais de 30 dólares por tonelada para carga a granel”, disse Lucas.

“Este cenário traduz-se em custos adicionais, sobretudo ao nível do frete marítimo”, acrescentou.

Lucas acredita que este cenário terá efeitos na carga contentorizada, dada a sua dependência de rotas internacionais, nomeadamente através do porto de Jebel Ali, nos Emirados Árabes Unidos.

Lucas anunciou ainda que a empresa espera concluir a expansão dos seus terminais de contentores e de carvão no primeiro trimestre de 2027, no âmbito de um investimento de cerca de 288 milhões de dólares lançado em 2024.

“O terminal de carga geral já foi ampliado e, até o final deste ano, iniciaremos a construção de 400 metros de cais”, disse.
(MIRAR)
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