Terça-feira, 13 de Outubro de 2026

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Política

GAZA APOSTA NA RECUPERAÇÃO DE INFRAESTRUTURAS PARA PROTEGER A ECONOMIA DOS RISCOS CLIMÁTICOS

Alfeu Cuna, governador da província, aponta a reabilitação de diques, estradas e sistemas de drenagem, bem como a digitalização de dados, como prioridades para reforçar a resiliência económica e reduzir a exposição das comunidades aos desastres naturais.

A recuperação das infra-estruturas danificadas pelas cheias e o reforço dos mecanismos de prevenção de desastres naturais estão entre as prioridades da província de Gaza, numa altura em que os riscos climáticos continuam a colocar pressão sobre a actividade agrícola, a rede de transportes e a segurança das comunidades. O governador provincial, Alfeu Cuna, considera que a reabilitação de infra-estruturas essenciais e a modernização dos sistemas de gestão da informação são fundamentais para fortalecer a capacidade de resposta da província e reduzir a vulnerabilidade da sua economia.

Falando à margem da Conferência Internacional sobre Redução do Risco de Desastres em África, dedicada à partilha de experiências, à cooperação e à identificação de soluções práticas para a prevenção e resposta a calamidades, Cuna destacou a experiência de Moçambique na construção da resiliência climática, defendendo, simultaneamente, a continuidade das medidas de prevenção face aos riscos associados a fenómenos climáticos, incluindo o El Niño.

Infraestruturas no centro da recuperação económica

Em Gaza, os danos provocados pelas cheias evidenciaram a importância estratégica das infraestruturas para o funcionamento da economia provincial. Estradas afectadas, diques de defesa danificados e sistemas de drenagem comprometidos representam desafios para a circulação de pessoas e mercadorias, a protecção das zonas habitacionais e a continuidade da produção agrícola.

Segundo Alfeu Cuna, os projectos em carteira têm como prioridade a reabilitação destas infra-estruturas, com particular atenção aos diques de defesa e aos cursos de água que desempenham um papel importante na actividade agrícola.

A recuperação destes activos deverá contribuir para melhorar as condições de produção dos agricultores e reduzir a exposição das áreas produtivas aos efeitos das cheias. A intervenção assume particular relevância numa província onde a agricultura constitui uma importante fonte de rendimento para numerosas famílias.

Embora o governador não tenha avançado valores de investimento, prazos de execução ou fontes de financiamento dos projectos, a reabilitação das infra-estruturas surge como uma das frentes prioritárias para recuperar a capacidade produtiva e reforçar a preparação da província para futuros eventos climáticos.

Digitalização para melhorar a gestão do risco

A modernização dos sistemas de informação constitui outra componente da estratégia de prevenção defendida pelo governador. Em resposta ao apelo do Presidente da República para a digitalização das instituições, de modo a evitar a perda de dados em consequência de fenómenos naturais, Cuna destacou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Para o governante, a digitalização poderá melhorar o registo das famílias afectadas, o acompanhamento dos processos de atribuição de terrenos e a identificação das necessidades de reassentamento.

Os municípios de Xai-Xai e Chókwè foram apontados como exemplos de zonas onde algumas famílias regressam a áreas vulneráveis depois da descida das águas, voltando a ficar expostas ao risco de novas inundações.

A utilização de bases de dados actualizadas permitiria às autoridades identificar as famílias já reassentadas, determinar as necessidades ainda existentes e melhorar o planeamento da ocupação do território.

A digitalização poderá igualmente apoiar o mapeamento das zonas propensas a inundações e facilitar a comunicação antecipada com as comunidades em risco, através de mecanismos de aviso prévio.

Resiliência climática como factor de desenvolvimento

A experiência recente de Gaza demonstra que a gestão do risco climático ultrapassa a dimensão da resposta a emergências. A recuperação das infra-estruturas, a protecção das áreas agrícolas e a organização do reassentamento das populações são também questões de planeamento económico e de gestão de recursos públicos.

Neste contexto, investir na prevenção poderá ajudar a limitar os danos sobre os activos produtivos, reduzir as interrupções da actividade económica e melhorar as condições para a continuidade dos negócios nas zonas vulneráveis.

A posição defendida por Alfeu Cuna coloca, assim, a resiliência climática entre os desafios estratégicos da província. O impacto desta abordagem dependerá, contudo, da capacidade de mobilizar financiamento, executar os projectos previstos e assegurar a manutenção das infra-estruturas recuperadas.

Num cenário de crescente exposição aos fenómenos climáticos extremos, a articulação entre investimento em infra-estruturas, transformação digital e planeamento territorial poderá ser determinante para reforçar a segurança das comunidades e a sustentabilidade da economia de Gaza.

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