Segunda-feira, 12 de Outubro de 2026

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Modernização Portuária em Maputo: Dragagem de 150 Milhões de Dólares Abre Nova Era para o Comércio Regional na SADC

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, lançou as obras de aprofundamento do canal de acesso ao Porto de Maputo. A intervenção permitirá a recepção de navios com capacidade de até 14 mil TEU e enquadra-se num plano global de investimentos superior a 2 mil milhões de dólares.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, dirigiu esta segunda-feira, no Porto de Maputo, a cerimónia oficial de lançamento da dragagem capital de aprofundamento e alargamento do canal de acesso àquela infra-estrutura estratégica. Avaliada em cerca de 150 milhões de dólares norte-americanos, a obra de engenharia marítima visa preparar o principal porto do país para acolher navios de grande porte, consolidando Moçambique como a plataforma logística preferencial da África Austral.

O empreendimento enquadra-se no programa global de investimentos na concessão do Porto de Maputo, orçado em mais de dois mil milhões de dólares norte-americanos, resultante da extensão do contrato com a Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) até ao ano de 2058.

Investimento Milionário amplia capacidade operacional do canal

As obras no fundo do canal de acesso vão alterar significativamente os parâmetros de navegação na Baía de Maputo. Com a conclusão dos trabalhos, a infraestrutura ficará capacitada para receber embarcações comercialmente conhecidas como de última geração, com comprimento de até 366 metros, calados a roçar os 15 metros e capacidade de transporte de até 14.000 TEU (unidade equivalente a um contentor de 20 pés).

Em termos de navegação, a largura do canal de acesso sofrerá uma expansão expressiva: nas zonas rectas, passará dos actuais 110 metros para aproximadamente 210 metros; nas curvas, a largura aumentará dos 150 metros actuais para 295 metros.

Esta intervenção complementa os projectos em curso em terra, como a expansão do Terminal de Contentores sob gestão da DP World, as melhorias no Terminal de Carvão da Matola e a modernização do manuseamento de minérios. Em 2025, o Porto de Maputo registou um volume recorde de movimentação, ao atingir cerca de 32 milhões de toneladas de carga.

“Não podemos aprofundar o Canal e manter obstáculos burocráticos à superfície”

Durante a sua alocução, o Chefe do Estado sublinhou que os ganhos obtidos no mar com o investimento milionário não podem ser anulados pela ineficiência em terra. Daniel Chapo defendeu a urgência de simplificar procedimentos administrativos e promover a interoperabilidade digital entre as Alfândegas, a Autoridade Tributária, a ferrovia, os operadores rodoviários e os serviços de fronteira.

“Não podemos investir milhões de dólares para reduzir horas no mar e depois perder essas poupanças ou dias ganhos no mar até ao cais, em procedimentos administrativos desnecessários (…). Não podemos aprofundar o canal e manter obstáculos burocráticos à superfície. Não seremos completamente eficientes”, advertiu o Presidente da República.

Como marco desta modernização, o Chefe do Executivo lembrou a entrada em funcionamento, em Julho deste ano, do primeiro Sistema Comunitário do Porto de Maputo. Apelou ainda a uma transição cultural nas instituições públicas e privadas:

“A transformação digital é extremamente importante para a nossa eficiência. Temos que migrar do analógico nas nossas instituições para o digital. Mas não basta que o equipamento, as infra-estruturas possam migrar do analógico para o digital. As nossas mentes também precisam migrar de uma mente analógica para uma mente digital”.

Estratégia Regional e integração económica da SADC

A localização geográfica de Moçambique foi apontada pelo Presidente como um activo que deve ser convertido em vantagem competitiva para a região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). O Porto de Maputo actua como o nó logístico natural para os centros industriais e mineiros da África do Sul, do Reino de Eswatini, do Zimbabwe e do Botswana.

“Quando um porto moçambicano se torna mais competitivo, não aproximamos apenas Moçambique do mundo. Aproximamos a África Austral do mundo. Esta é a integração africana que queremos: uma integração que aproxima povos, conecta as nossas economias e transforma infra-estruturas em prosperidade partilhada”, vincou Daniel Chapo.

O estadista reforçou que os corredores de transporte não devem ser meras vias de trânsito de matérias-primas, devendo transformar-se em eixos de desenvolvimento onde a riqueza seja produzida, transformada e retida no País. Para o efeito, defendeu o fomento de polos industriais de agro-processamento, serviços, logística e agricultura ao longo dos eixos viários e ferroviários.

Impacto social, emprego e capacitação de mão-de-obra nacional

No capítulo do impacto socioeconómico, a Presidência da República ressaltou que os resultados do investimento portuário devem traduzir-se em benefícios directos para a população, através da criação de emprego formal para a juventude e a mulher moçambicana, do fortalecimento das PMEs e da arrecadação de receitas fiscais.

A componente do conhecimento técnico nacional foi igualmente colocada em evidência:

“Por detrás de cada navio neste porto, de cada guindaste, de cada locomotiva e de cada sistema digital deve existir cada vez mais conhecimento moçambicano. A verdadeira independência económica não se mede apenas pelas infra-estruturas que construímos, mas também pela capacidade dos moçambicanos de as operar, gerir, manter e transformar em riqueza”, concluiu o Chefe do Estado.

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