FEMATRO exige aumento superior a 100% na tarifa de transporte e abandona modelo de compensações do Governo
Operadores de “chapas” propõem subida do bilhete de 15 para 35 meticais devido a atrasos de cinco meses nos subsídios da AMT. Município de Maputo avalia pedido enquanto classe aguarda resposta executiva até dia 5 de Outubro.
FEMATRO propõe subida da tarifa para 35 meticais
A Federação Moçambicana das Associações dos Transportes Rodoviários (FEMATRO) decidiu alterar a sua estratégia de negociação com o Governo e vai defender um aumento da tarifa do transporte semicolectivo de passageiros na Região Metropolitana de Maputo, dos actuais 15 para 35 meticais.
A posição foi assumida durante uma reunião realizada esta quarta-feira, que juntou dezenas de proprietários de viaturas, descontentes com os atrasos no pagamento das compensações financeiras atribuídas pelo Estado através da Agência Metropolitana de Transporte (AMT).
A proposta representa um aumento de 20 meticais por viagem, equivalente a mais de 133% face à tarifa actualmente praticada.
A decisão surge depois de sucessivas reclamações dos operadores privados, que dizem estar há meses à espera do pagamento das compensações previstas no programa de apoio ao transporte público.
Transportadores abandonam estratégia centrada nas compensações
Durante o encontro, os operadores manifestaram preocupação com os atrasos no desembolso das compensações e defenderam uma mudança na forma de relacionamento com o Governo.
A FEMATRO entende que o actual modelo de compensações não está a responder às necessidades dos transportadores e pretende, por isso, discutir directamente com as autoridades um reajuste da tarifa.
“Já vimos que a situação das compensações não vale a pena. Continuarmos a falar das compensações… agora temos que mudar do diálogo, vamos dialogar com o Governo para aumento da tarifa”, afirmou um dos intervenientes na reunião.
A proposta da FEMATRO prevê que a tarifa passe de 15 para 35 meticais. O valor é superior aos cinco meticais de aumento anteriormente propostos por algumas associações de transportadores da capital.
Operadores contestam atrasos nos pagamentos
Os transportadores também questionam a forma como tem sido implementado o programa de compensações gerido pela AMT.
Segundo os operadores, numa primeira fase, cerca de 900 viaturas receberam pagamentos relativos a dois meses, embora, segundo os relatos apresentados na reunião, nem todas as viaturas inscritas tenham sido abrangidas.
Posteriormente, mais de 3 003 viaturas terão sido cadastradas. Os transportadores afirmam, contudo, que os proprietários dessas viaturas ainda não foram chamados para apresentar o Número de Identificação Bancária (NIB), necessário para a realização das transferências.
A situação, segundo os operadores, está a provocar dificuldades financeiras entre os proprietários e motoristas.
“São cinco meses que vou trabalhar sem receber compensações”, queixou-se um dos transportadores, defendendo que o pagamento efectuado directamente pelo passageiro é mais previsível.
“O melhor dinheiro é o da porta, é aumentar a tarifa… dinheiro apanhar na porta”, afirmou.
Transportadores acusam autoridades de critérios diferentes
Durante a reunião, os operadores também criticaram aquilo que consideram ser uma diferença entre o rigor exigido pelas autoridades aos transportadores e os atrasos no cumprimento das obrigações financeiras do Estado.
Um dos participantes citou, como exemplo, as exigências relacionadas com a identificação das viaturas e a substituição de faixas e letreiros.
“Estavam a falar de letreiros das faixas… só por uma semana, disseram-nos para mudarmos, trocarmos as faixas; estamos a trocar todos. Mas quando são compensações, dizem que não nos conhecem”, afirmou.
Outro interveniente questionou a forma como, segundo os transportadores, as autoridades têm conduzido o processo.
“O que o Governo está a fazer juntamente com a AMT é pôr-nos uns contra os outros. Não há sinceridade aqui”, declarou.
Conselho Municipal analisa proposta
O Conselho Municipal de Maputo confirmou ter recebido a proposta dos transportadores, mas esclareceu que a decisão sobre a alteração da tarifa não depende exclusivamente da autoridade municipal.
A proposta está a ser analisada em articulação com as entidades competentes do Governo, tendo em conta, entre outros aspectos, os efeitos da alteração tarifária sobre os passageiros e a sustentabilidade da actividade dos operadores.
O executivo municipal indicou o dia 5 como prazo para se pronunciar formalmente sobre a proposta apresentada pelos transportadores.
A FEMATRO, por sua vez, deverá aguardar pela posição oficial das autoridades antes de avançar com qualquer alteração da tarifa actualmente praticada.
Aumento pode elevar custo das deslocações
Se a proposta for aprovada, uma viagem que actualmente custa 15 meticais passará a custar 35 meticais. Para passageiros que utilizam diariamente o transporte semicolectivo para se deslocarem entre casa, trabalho ou escola, a alteração representará um aumento significativo das despesas de transporte.
Para os operadores, contudo, a subida pretendida é apresentada como uma alternativa aos atrasos nas compensações financeiras e uma forma de assegurar a continuidade da actividade.
A decisão final caberá às autoridades competentes, depois da análise da proposta apresentada pela FEMATRO.