A COVID-19 voltou a registar um aumento significativo de casos na China continental, levando as autoridades sanitárias daquele país a elevar o nível de circulação do vírus de “baixo” para “médio” durante a semana de 13 a 19 de Julho de 2026. Embora os especialistas descartem, para já, um regresso ao cenário dramático vivido entre 2020 e 2022, defendem o reforço da vigilância epidemiológica e a adopção de medidas preventivas, sobretudo em locais fechados e com grande concentração de pessoas.
Os dados foram divulgados pelo Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças (China CDC) e mostram que o SARS-CoV-2 voltou a ser o agente respiratório mais detectado nos hospitais sentinela do país, ultrapassando o vírus da gripe.
Segundo o relatório oficial, a taxa de positividade para COVID-19 aumentou de 11,9% para 16,3% numa única semana, enquanto a gripe recuou de 13,7% para 12,6%, evidenciando que a actual vaga é impulsionada principalmente pelo coronavírus.
“O SARS-CoV-2 tornou-se novamente o principal agente patogénico respiratório detectado nos hospitais sentinela”, refere o relatório do China CDC.
Adultos em idade activa são os mais afectados
Ao contrário das primeiras vagas da pandemia, quando idosos e pessoas com doenças crónicas representavam a maior preocupação, os dados agora divulgados mostram que a maioria dos novos casos ocorre entre pessoas dos 15 aos 59 anos, faixa etária economicamente activa.
As províncias do sul da China apresentam níveis de transmissão significativamente superiores aos registados no norte do país.
Para o especialista em doenças infecciosas Cheng Yuan-yu, de Taiwan, este comportamento pode estar relacionado com as temperaturas elevadas do Verão.
“As pessoas procuram ambientes climatizados, permanecem durante longos períodos em espaços fechados e isso aumenta o risco de transmissão aérea”, explicou ao The Epoch Times.
Especialistas descartam, por enquanto, uma nova pandemia
Apesar da subida dos casos, especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano The Epoch Times afirmam que não existem evidências de que a situação tenha atingido a dimensão da pandemia registada entre 2020 e 2022.
O microbiologista Xiaoxu Sean Lin, antigo investigador do Exército dos Estados Unidos e professor associado de Ciências Biomédicas, considera, contudo, que a transmissão comunitária começou antes do reconhecimento oficial.
“Quando as autoridades passaram de ‘baixa prevalência’ para ‘prevalência média’, significa que a transmissão comunitária já estava em expansão há algum tempo”, afirmou.
Segundo Lin, os dados oficiais representam apenas uma parte da realidade.
“Muitas pessoas com sintomas ligeiros deixam de fazer testes, não procuram hospitais e não comunicam os resultados dos autotestes. O número real de infecções poderá ser significativamente superior ao divulgado”, advertiu.
Na mesma linha, um médico ligado ao sistema chinês de prevenção e controlo de doenças, identificado apenas pelo apelido Feng, afirmou que as variantes actualmente em circulação pertencem à família Ómicron, considerada menos letal do que as estirpes responsáveis pelas primeiras vagas da pandemia.
“A epidemia ainda não atingiu um nível semelhante ao observado em 2022 porque as variantes actualmente em circulação não apresentam a mesma gravidade”, declarou ao The Epoch Times.
Inundações poderão favorecer propagação
Outro factor acompanhado pelas autoridades chinesas prende-se com as fortes inundações registadas este Verão em várias províncias do sul.
Especialistas alertam que situações de deslocamento populacional, abrigos temporários, ventilação insuficiente e sobrelotação dos serviços de saúde podem favorecer a disseminação de doenças respiratórias, incluindo COVID-19, gripe e vírus sincicial respiratório.
No entanto, até ao momento não existem provas científicas que permitam concluir que as inundações sejam a principal causa do aumento dos casos.
O que esta situação significa para Moçambique?
Até ao momento, o Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU) não comunicou qualquer alteração da situação epidemiológica nacional relacionada com esta vaga registada na China.
Ainda assim, especialistas recordam que a vigilância continua a ser essencial devido à intensa mobilidade internacional.
Moçambique foi um dos países africanos afectados pela pandemia. O primeiro caso foi confirmado em Março de 2020, levando o Governo a decretar o Estado de Emergência, restringir viagens internacionais, limitar ajuntamentos, encerrar temporariamente escolas e reforçar medidas sanitárias.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do MISAU, a pandemia provocou milhares de infecções e mortes no país, ao mesmo tempo que afectou profundamente a economia, o turismo, o comércio, os transportes, o emprego e o rendimento das famílias. A campanha nacional de vacinação, iniciada em 2021 com apoio da iniciativa COVAX, permitiu reduzir significativamente os casos graves, os internamentos e a mortalidade.
África aprendeu lições importantes
Em África, a pandemia expôs fragilidades históricas dos sistemas nacionais de saúde, mas também impulsionou investimentos em vigilância epidemiológica, laboratórios, produção local de vacinas e resposta rápida a surtos.
De acordo com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o continente registou milhões de casos confirmados desde 2020, mas conseguiu reduzir progressivamente a taxa de mortalidade graças à vacinação, ao fortalecimento dos sistemas de saúde pública e à cooperação internacional.
Actualmente, tanto a OMS como o Africa CDC defendem que a COVID-19 deve continuar a ser monitorizada como uma doença respiratória de circulação permanente, sem descurar a capacidade de resposta caso surjam variantes mais perigosas.
Não há motivo para alarme, mas há razões para vigilância
Os dados actualmente disponíveis indicam que a China enfrenta uma nova vaga sazonal de COVID-19, caracterizada por maior transmissão, mas sem evidências de uma variante mais letal.
As autoridades sanitárias internacionais continuam a recomendar medidas simples de prevenção, nomeadamente a permanência em casa em caso de sintomas respiratórios, higiene frequente das mãos, utilização de máscara em ambientes hospitalares ou muito movimentados quando necessário e actualização da vacinação para grupos vulneráveis.
Até ao momento, nem a Organização Mundial da Saúde (OMS) nem o Africa CDC emitiram qualquer alerta que indique o regresso de uma pandemia semelhante à vivida entre 2020 e 2022. A recomendação é de vigilância contínua, transparência na divulgação de dados e resposta rápida sempre que surgirem alterações significativas no comportamento do vírus.
Fontes: Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças (China CDC); Organização Mundial da Saúde (OMS); Africa CDC; Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU); The Epoch Times.
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