Maputo, 29 de Julho de 2026 — O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, conhecida como taxa MIMO, em 9,25%, preservando a orientação da política monetária perante um contexto marcado por riscos internos e externos que continuam a pressionar as perspectivas da inflação e da economia nacional. A decisão foi anunciada esta quarta-feira, através do Comunicado n.º 4/2026.
Segundo o documento, a manutenção da taxa directora é sustentada pela redução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, consequência do aumento do coeficiente de Reservas Obrigatórias implementado em Maio último. Contudo, o Banco de Moçambique reconhece que persistem riscos elevados decorrentes da instabilidade internacional, sobretudo do conflito no Médio Oriente, cujos efeitos continuam a afectar a cadeia logística mundial e a volatilidade dos preços dos combustíveis.
“O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%.”
Inflação deverá aumentar no curto prazo
A autoridade monetária prevê que a inflação continue a acelerar nos próximos meses, impulsionada principalmente pelo impacto indirecto do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos e pela inflação importada.
Os dados apresentados pelo Banco de Moçambique mostram que a inflação anual passou de 7,2% em Maio para 7,5% em Junho de 2026, enquanto a inflação subjacente permaneceu estável.
Apesar desse comportamento no curto prazo, a instituição acredita que, num horizonte de médio prazo, a inflação poderá regressar a um único dígito, beneficiando da estabilidade cambial e da expectativa de redução dos preços internacionais dos produtos energéticos e alimentares.
“Perspectiva-se um aumento da inflação no curto prazo e uma redução para um dígito no médio prazo.”
Economia deverá crescer de forma moderada
No plano da actividade económica, o Banco de Moçambique estima um crescimento moderado, excluindo a produção de gás natural liquefeito (GNL).
Os dados do primeiro trimestre indicam que o Produto Interno Bruto (PIB), sem considerar o GNL, cresceu 1,1%, depois de ter registado 4,8% no último trimestre de 2025.
Quando incluída a produção de gás natural liquefeito, a economia apresentou uma desaceleração para 0,1%, contra 5,1% observados no trimestre anterior.
Segundo o Banco Central, o crescimento económico deverá ser favorecido pela implementação de novos projectos em sectores estratégicos.
Dívida pública continua a preocupar
O Comité de Política Monetária manifesta preocupação com o elevado nível de endividamento público e com os persistentes atrasos no pagamento das dívidas interna e externa do Estado.
O comunicado refere que a dívida pública interna, excluindo contratos de mútuo, locação e responsabilidades em mora, atingiu 538,3 mil milhões de meticais, representando um aumento de 63,7 mil milhões de meticais relativamente a Dezembro de 2025.
Na avaliação do Banco de Moçambique, estes atrasos reduzem o interesse dos investidores por títulos públicos, pressionam as taxas de juro e agravam a percepção do risco soberano.
“Persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa (…), com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos, na rigidez das respectivas taxas de juro, bem como na avaliação do risco-país.”
Sistema bancário permanece sólido
Apesar do cenário económico desafiante, o Banco de Moçambique considera que o sistema financeiro nacional continua robusto.
Em Junho de 2026, o rácio global de solvabilidade situou-se em 28,1%, enquanto o indicador de cobertura de liquidez de curto prazo alcançou 55,2%, ambos acima dos limites regulamentares.
O Banco Central acrescenta que os testes de esforço macroprudencial demonstram que as instituições financeiras continuam suficientemente capitalizadas para absorver eventuais perdas.
“O sector bancário permanece sólido, capitalizado e resiliente.”
Inclusão financeira continua a expandir-se
O comunicado destaca igualmente a evolução positiva da inclusão financeira no País.
Entre Dezembro de 2024 e Maio de 2026, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros aumentou 47%, impulsionado sobretudo pelo crescimento dos agentes de moeda electrónica, que registaram um aumento de 54%.
No mesmo período verificou-se também um crescimento de 18% no número de contas de moeda electrónica, reflexo da maior utilização dos serviços financeiros digitais.
METIX impulsiona pagamentos instantâneos
Outro aspecto sublinhado pelo Banco de Moçambique é o crescimento do Sistema de Pagamentos Instantâneos (METIX).
Desde a entrada em funcionamento, em Março deste ano, o número de transferências efectuadas através da plataforma ultrapassou 11 mil operações por dia, evidenciando uma maior preferência por pagamentos electrónicos rápidos e gratuitos.
Mercado cambial apresenta maior liquidez
O Banco Central refere igualmente que o mercado cambial registou maior disponibilidade de divisas durante o primeiro semestre de 2026.
As compras de moeda estrangeira pelos bancos comerciais cresceram USD 352 milhões, atingindo USD 4,24 mil milhões, enquanto as vendas aos clientes aumentaram USD 356 milhões, totalizando USD 4,16 mil milhões.
Segundo o comunicado, metade das divisas comercializadas destinou-se ao sector dos combustíveis.
Riscos continuam elevados
Apesar dos sinais positivos registados no sistema financeiro, o Banco de Moçambique alerta que continuam elevados os riscos que podem comprometer a estabilidade dos preços.
Entre os factores internos destacam-se os efeitos do aumento dos combustíveis, o impacto das inundações verificadas no primeiro trimestre, o agravamento do risco fiscal e os atrasos nos pagamentos do Estado.
No plano internacional, permanecem preocupações relacionadas com a evolução do conflito no Médio Oriente e os seus efeitos sobre a logística global e os preços da energia e dos alimentos.
“A direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.”
A próxima reunião ordinária do Comité de Política Monetária está agendada para 30 de Setembro de 2026, ocasião em que o Banco de Moçambique voltará a reavaliar o comportamento da inflação, da economia e dos principais indicadores financeiros, antes de decidir sobre eventuais ajustamentos da taxa MIMO.
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