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TENSÕES NA RENAMO: Geraldo Carvalho Classifica Muxanga como “Pintainho da Frelimo” e denuncia falhas críticas na implementação do DDR

TENSÕES NA RENAMO: Geraldo Carvalho Classifica Muxanga como “Pintainho da Frelimo” e denuncia falhas críticas na implementação do DDR

No âmbito das celebrações do 119.º aniversário da elevação da cidade da Beira à categoria municipal , Geraldo Carvalho, chefe nacional de mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), proferiu duras críticas contra António Muchanga e denunciou publicamente o incumprimento sistemático dos acordos de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) por parte do Governo moçambicano. Numa intervenção incisiva e sem rodeios, o dirigente posicionou-se face às clivagens internas do partido e avaliou o estado do desenvolvimento municipal da Beira.

Por: Equipa de Redacção

Chimoio / Beira

“Muchanga Não Tem Background Dentro da Renamo”


O chefe de mobilização nacional desvalorizou categoricamente as recentes declarações de António Muxanga direcionadas à sua pessoa, asseverando que o seu opositor interno carece de autoridade e histórico para debater o percurso do partido.
“Muxanga não tem know-how, Muxanga não tem background dentro da Renamo, no percurso da Renamo, para falar comigo sobre a Renamo. Eu sou o chefe que indicou as pessoas que lançaram Muchanga em Gaza. Eu coordenava as ações de Gaza, Inhambane e Maputo a partir de Maríngue, então Muxanga não tem staff, não tem capital para falar comigo.”


Carvalho rejeitou as acusações de Muxanga relativas a interesses financeiros, esclarecendo o seu compromisso com a organização: “Eu não preciso de dinheiro do partido. O pouco que tenho, dou também ao partido, e não sou essa pessoa que ele disse. Estou a fazer o trabalho do partido dentro das minhas obrigações nas funções de chefe nacional de mobilização.”


Lançando um aviso direto, o dirigente assegurou que as instâncias internas não tolerarão desvios: “Os problemas internos nós não vamos permitir. Estamos a avisar, o aviso dado já está dado. Se ele quer continuar a ir ao tribunal, que continue a ir lá formar o partido dele no tribunal.”

O chefe de mobilização foi ainda mais longe na sua caracterização política de Muxanga, apelidando-o de aliado dissimulado do partido no poder:


“Geraldo Carvalho chamou recentemente Muxanga de ‘um pinteinho’ — é ‘pinteinho’ da Frelimo porque é incubado para poder ajudar a Frelimo. Um indivíduo que está a partir a sede da Renamo, está a violentar a sede da Renamo, está a ir ao tribunal expor a Renamo, está a ir ao tribunal expor o partido, está a lutar contra o partido… só pode estar a ajudar a Frelimo.”

DDR: Desmobilizados Remetidos a “Situação Extrema” e “Biscates”


Além das disputas de liderança, Carvalho trouxe à discussão uma forte denúncia sobre a reintegração dos antigos guerrilheiros da Renamo sob o processo de DDR, acusando o Executivo de desrespeitar os termos acordados.


Embora o desarmamento e a desmobilização tenham sido formalizados, Carvalho aponta que as contrapartidas socioeconómicas destinadas aos ex-combatentes não saíram do papel.


“O Governo tem consciência disso, sabe dizer que os acordos estão claros. Foram cumpridos o desarmamento e a desmobilização. Até hoje não há quem tenha recebido os projetos que estão dentro dos acordos: as bolsas de estudo, as facilidades, terrenos para o desmobilizado não existem”, denunciou.


O dirigente descreveu o cenário desolador enfrentado pelos antigos militares da Renamo, que se encontram desprovidos de apoio estatal estruturado:


“O desmobilizado da Renamo está remetido a uma situação extrema. Nalguns casos, tem de fazer biscates para sobreviver. O Governo tem de pôr a mão na consciência, porque o Estado moçambicano, o Governo de Moçambique, sabe quem são essas pessoas. São moçambicanos iguais àqueles antigos combatentes [da Frelimo]. Por que é que uns têm um tratamento e os outros têm outro, se eles também lutaram pela democracia?”

O Futuro do Partido e os Limites Judiciais


Analisando a reorganização da Renamo, Carvalho destacou a vitalidade partidária observada durante as suas recentes deslocações pelo país, manifestando otimismo face aos “novos tempos” da organização sob a liderança de Ossufo Momade.

“O norte está de parabéns, disse sim à Renamo e aos bons momentos que a Renamo vai ter”, afirmou, adiantando que as próximas etapas da sua comitiva incluirão as províncias da Zambézia e de Manica.


Sobre a realização dos órgãos deliberativos nacionais, o chefe de mobilização recordou a postura de Momade e contestou a ingerência judicial na vida partidária:


“O presidente da Renamo [Ossufo Momade] é o primeiro presidente da Renamo que aparece a dizer claramente que não vai concorrer. Se vai haver Conselho Nacional, se vai haver o Congresso… não está a haver porque Muxanga foi ao tribunal. Estamos à espera desse Conselho Nacional e do Congresso, mas o tribunal não pode suplantar as normas internas de nenhum partido.”

Desenvolvimento da Cidade da Beira: Elogios à Edilidade e Desafios Críticos


Na sua passagem pela Beira, por ocasião do aniversário da urbe, Geraldo Carvalho elogiou os progressos alcançados sob a governação local da Renamo, mas sublinhou que a cidade ainda enfrenta vulnerabilidades geográficas e de infraestrutura graves.
Entre os avanços, destacou a pavimentação de vias, a proatividade nas relações diplomáticas e captação de financiamentos, bem como a melhoria nos transportes públicos e no saneamento básico [6]. No entanto, alertou para o avanço preocupante da erosão costeira:


“Conseguimos notar que há avanço das águas do mar e a cidade da Beira é uma cidade colocada abaixo do nível das águas do mar. A Praia Nova está a ir embora, o Palácio de Casamento está a ir embora, o Veleiro já se foi. É necessário que se faça algo, e desde já deixamos o apelo para os financiadores nacionais e internacionais para investirem nisso.”


Carvalho refutou também as críticas do chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal, acusando o partido no poder de tentar ofuscar as melhorias evidentes:


“A Frelimo não faz, não sabe fazer e não quer deixar ninguém fazer. O meu amigo chefe da bancada da Frelimo deve estar com saudades daquele cheiro que a Beira tinha, das mortes de cólera, daqueles buracos por todo o lado. Ninguém está com saudades da Frelimo. Ele pode tocar todos os batuques, como dizia o Dom Jaime, ninguém vai ouvir a Frelimo.”

FONTE: ZAMBÉZIA 24H/TV

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