Governo defende diversificação do financiamento para impulsionar economia nacional
Maria Benvinda Delfina Levi aponta finanças islâmicas como alternativa para ampliar o acesso a recursos e financiar sectores produtivos
A Primeira-Ministra de Moçambique, Maria Benvinda Delfina Levi, defendeu, esta quinta-feira, 24 de Setembro de 2026, na cidade de Maputo, a diversificação dos instrumentos de financiamento da economia nacional, apontando as finanças islâmicas como uma das alternativas para ampliar a inclusão financeira e apoiar o investimento produtivo.
A posição foi apresentada durante o lançamento do livro “Introdução às Finanças Islâmicas — Princípios, Contratos e Modelos de Intermediação”, da autoria dos economistas moçambicanos Janfar Abdulai e Carino Modan.
Na sua intervenção, a Chefe do Governo felicitou os autores pela publicação e destacou o papel da produção científica e da literatura técnica na procura de soluções para os desafios económicos do País.
“Um livro é sempre uma ponte: entre o saber e a prática, entre as perguntas do presente e as soluções que procuramos para o futuro”, afirmou.
Ao abordar a conjuntura nacional, Levi fez referência às projecções demográficas e aos indicadores económicos, defendendo a necessidade de encontrar mecanismos adicionais de mobilização de recursos para responder às necessidades de desenvolvimento.
Segundo os dados apresentados na intervenção, Moçambique deverá atingir cerca de 36 milhões de habitantes em 2026, com uma taxa de crescimento anual de 2,5%, enquanto cerca de 65% da população reside nas zonas rurais.
A Primeira-Ministra referiu igualmente que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita terá sido de aproximadamente 692 dólares norte-americanos em 2025, num contexto de contracção económica estimada em 0,2%.
Perante este cenário, a governante defendeu a procura de novas fontes de financiamento para áreas como agricultura, industrialização, habitação e infra-estruturas.

“A resposta não pode depender apenas do Orçamento do Estado, do crédito bancário convencional ou do investimento externo. Precisamos de ampliar as nossas opções, com prudência e responsabilidade”, declarou.
Finanças islâmicas
Na abordagem às finanças islâmicas, Maria Levi defendeu que o modelo deve ser analisado também na sua dimensão económica e financeira, sem ficar limitado à componente religiosa.
“As finanças islâmicas não devem ser vistas apenas pela sua dimensão religiosa. São também uma indústria financeira internacional, com princípios próprios de estruturação, intermediação e gestão de risco”, afirmou.

A diversificação dos instrumentos financeiros enquadra-se nos esforços nacionais de expansão do acesso e utilização de serviços financeiros. A Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025–2031 estabelece como prioridades a expansão do acesso a produtos e serviços financeiros, o aumento do acesso ao crédito, a promoção dos serviços financeiros digitais, dos seguros e das finanças verdes.
A estratégia foi aprovada pelo Conselho de Ministros para o período 2025–2031 e constitui o quadro nacional de referência para a promoção da inclusão financeira em Moçambique.
Neste contexto, o debate sobre novos modelos de financiamento surge associado à necessidade de ampliar as opções disponíveis para empresas, famílias e projectos de investimento, sobretudo num país onde o acesso ao crédito continua a constituir um dos desafios da inclusão financeira.
O lançamento da obra sobre finanças islâmicas coloca, assim, em discussão uma modalidade de intermediação financeira que, segundo a abordagem apresentada pela Primeira-Ministra, pode ser analisada como parte da diversificação dos instrumentos disponíveis para financiar a economia moçambicana.