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Eventos extremos causaram necessidades econômicas…

Maputo, 12 Mai (AIM) – A ministra das Finanças de Moçambique, Carla Louveira, revelou que o impacto nefasto de eventos climáticos extremos causou perdas económicas e necessidades de reconstrução estimadas em cerca de 48,6 mil milhões de dólares.

Segundo o ministro, que falava segunda-feira, em Maputo, no diálogo nacional sobre resiliência, os eventos climáticos extremos afectaram cerca de 1,7 milhões de pessoas e destruíram mais de 210 mil casas, além de causarem perdas significativas na agricultura, insegurança alimentar, interrupção de serviços essenciais e redução de receitas económicas.

As catástrofes naturais também afectaram as cadeias de rendimento, os transportes e as infra-estruturas sociais, exacerbando as vulnerabilidades e aumentando a pressão sobre as finanças públicas.

“É por isso que quando falamos de resiliência, falamos de uma agenda nacional, falamos de uma agenda nacional de desenvolvimento, de planos para proteger a vida, mas também para proteger os investimentos em infraestruturas resilientes com capacidade de resistir a choques e garantir a continuidade dos serviços essenciais”, disse.

Segundo Louveira, os acontecimentos climáticos extremos criaram necessidades urgentes de resposta, recuperação e reconstrução fora do orçamento inicialmente previsto, com impactos diretos na dívida pública e na sustentabilidade fiscal do país.

Ela destacou o Plano de Protecção Financeira contra Desastres 2022-2027 como um instrumento que visa garantir intervenções rápidas, focadas e resilientes em situações de desastre.

“O Fundo de Gestão de Calamidades garantirá também uma dotação mínima anual correspondente a 0,14 por cento das receitas fiscais incluídas no Orçamento do Estado. O seguro soberano permite a compensação e o acesso rápido ao assentamento em momentos críticos para a nossa população”, afirmou.

Segundo o ministro, a recente aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034 representa um marco importante na mobilização de recursos para tornar a economia e a sociedade do país mais resilientes às alterações climáticas.

Entre os programas em curso, destacou ainda o Projecto de Resiliência Local do Norte de Moçambique (Moz Norte), financiado com 150 milhões de dólares e integrado no Programa Integrado de Resiliência do Norte de Moçambique (PRESINO).

Mencionou também o Projecto de Recuperação da Crise do Norte (NRSP), financiado pelo Banco Mundial com 200 milhões de dólares, que visa reconstruir infra-estruturas e restaurar programas de desenvolvimento nas zonas afectadas.

“Temos também o programa regional de preparação para emergências e recuperação inclusiva, avaliado em 37 milhões de dólares, que visa reabilitar infraestruturas e restaurar serviços essenciais afetados por ciclones tropicais e inundações registadas em 2025 e 2026”, disse.

Por outro lado, o Banco Mundial aprovou uma estratégia de financiamento para Moçambique avaliada em 10 mil milhões de dólares, dos quais 6 mil milhões estão destinados ao sector público e 4 mil milhões ao sector privado.

Por seu lado, Fily Sissoko, director da divisão de Moçambique do Banco Mundial, disse que as cheias registadas no início do ano causaram danos significativos num país já afectado por múltiplas crises.

“O país tem enfrentado diversas crises, nomeadamente o impacto de choques, inundações, ciclones sucessivos, pandemias, manifestações pós-eleitorais e a crise do Médio Oriente. Até 2050, mais de metade da população de Moçambique viverá em cidades, muitas delas localizadas em zonas costeiras vulneráveis ​​a eventos climáticos extremos”, afirmou.

O diálogo sobre resiliência reúne representantes do governo, parceiros de cooperação, setor privado e sociedade civil.

(MIRAR)
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