A edição de 2026 da Feira Internacional de Maputo (FACIM) já tem linhas orientadoras definidas e uma mensagem política clara: descentralizar oportunidades e acelerar o investimento fora dos corredores tradicionais. O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, durante a apresentação oficial da estrutura do evento.
Pela primeira vez, a província do Niassa assume o estatuto de Província de Honra, uma distinção que não é simbólica: é um sinal directo ao mercado. O Governo pretende posicionar a região como destino prioritário de investimento, sobretudo em sectores ainda pouco explorados.
A escolha recai sobre factores concretos. Niassa dispõe de vastas extensões agrícolas, recursos florestais, potencial energético significativo e um turismo praticamente intocado. Soma-se a isso uma aposta crescente na comunicação digital, vista como ferramenta de integração económica e social.
Na prática, o Executivo tenta corrigir um padrão antigo: concentração de investimento no sul do país, com especial incidência em Maputo.
Sob o lema “Transformação Digital e Energética Rumo a uma Economia Sustentável”, a FACIM 2026 procura alinhar-se com tendências globais — mas com aplicação local. A aposta na digitalização e energia não surge por acaso: são dois sectores críticos para aumentar produtividade e competitividade.
A direcção do evento estará a cargo de Alfredo Nampuio, enquanto os empresários Salimo Abdula e a atleta Lurdes Mutola assumem o papel de embaixadores. A escolha combina influência económica e capital simbólico, numa tentativa de dar maior alcance à feira.
Outro dado relevante é a designação do Brasil como País de Honra. A decisão aponta para o reforço das relações económicas bilaterais, com foco em áreas como agro-indústria, energia e infra-estruturas.
O Brasil já tem histórico de presença em Moçambique, mas o enquadramento na FACIM sugere uma nova fase: mais estruturada, mais orientada para resultados concretos.
Apesar do discurso ambicioso, o desafio mantém-se o mesmo de sempre: transformar potencial em investimento real. Niassa, por exemplo, enfrenta limitações logísticas, infra-estruturais e de acesso ao mercado.
Sem resolver esses constrangimentos, o estatuto de Província de Honra pode ficar apenas no plano político.
Ainda assim, a FACIM 2026 surge como uma tentativa clara de reposicionar o país — e de testar, mais uma vez, a capacidade do Estado em atrair capital para zonas historicamente marginalizadas.
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