Presidente da Federação Moçambicana de Comércio e Serviços considera que a transformação da LAM em Air Mozambique pode representar uma oportunidade de modernização da companhia aérea nacional, mas alerta para a necessidade de uma nova gestão, redução de custos e recuperação da confiança dos passageiros.
A entrada em funcionamento da Air Mozambique representa uma oportunidade para modernizar a aviação comercial moçambicana e contribuir para a independência económica do país, segundo o presidente da Federação Moçambicana de Comércio e Serviços (FEMOCOS), Prakash Prehlad.
Em entrevista, o dirigente empresarial afirmou que a transição da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) para a nova marca constitui um primeiro passo para reposicionar a companhia no mercado nacional e internacional, através da adopção de padrões modernos de operação e melhoria da qualidade dos serviços.

“O primeiro passo está dado. A transição da LAM para Air Mozambique tem como objectivo modernizar as operações, alinhar a imagem aos padrões internacionais e tentar reconquistar o mercado”, afirmou Prakash Prehlad.
Segundo o presidente da FEMOCOS, a nova marca poderá facilitar o reconhecimento internacional da transportadora e contribuir para recuperar a confiança dos clientes, desde que seja acompanhada por uma transformação profunda na gestão da empresa.
Contudo, Prehlad defende que um dos principais desafios será esclarecer a relação entre a nova companhia e a antiga estrutura da LAM, sobretudo no que diz respeito às dívidas acumuladas e aos activos existentes.
“É importante perceber se a Air Mozambique herda tudo da LAM ou apenas uma parte dos activos. A estrutura dos custos é fundamental, porque actualmente a LAM está afogada em grandes dívidas”, explicou.
Companhia aérea forte pode reduzir custos e estimular investimento
Para o presidente da FEMOCOS, uma companhia aérea nacional eficiente terá impacto directo na competitividade da economia moçambicana, facilitando a circulação de empresários, turistas e investidores.
Segundo explicou, a conectividade deve ser vista de forma integrada, envolvendo também os sectores ferroviário, rodoviário e marítimo.
“O empresário precisa de facilidade para chegar onde se produz e onde está o mercado. Todo tipo de conexão é importante para que a economia funcione com normalidade”, disse.
Prehlad considera que melhores ligações aéreas poderão fortalecer sectores estratégicos como turismo, comércio e logística, tornando Moçambique mais atractivo para investimentos.
“Quando se fala de empresários ou pessoas que estão fora de Moçambique, a primeira pesquisa é saber como chegar ao país, a facilidade do visto e das interconexões existentes. Se essas conexões forem competitivas em tempo e preço, teremos um ambiente de negócios mais favorável”, afirmou.
Mudança de marca deve representar nova forma de gestão
Questionado se a Air Mozambique representa apenas uma mudança de nome ou uma nova filosofia de gestão, o presidente da FEMOCOS defendeu que a alteração deve ser acompanhada por reformas estruturais.
Para Prehlad, uma companhia de bandeira nacional deve ser exemplo de boa governação, produtividade e sustentabilidade financeira, não dependendo permanentemente do apoio do Estado.
“Uma companhia de bandeira tem que ser a primeira a dar exemplo em gestão, rentabilidade e produtividade. Não pode ser uma empresa que recorre constantemente aos cofres do Estado e aos contribuintes”, destacou.
O empresário defendeu ainda a necessidade de redimensionar a estrutura operacional da companhia, avaliando factores como o número de aeronaves disponíveis, recursos humanos e capacidade real de operação.
Sector privado teve papel importante na transformação

Prakash Prehlad reconheceu o papel do sector privado no processo que levou à mudança da marca, destacando a participação de empresas nacionais no fortalecimento da economia.
“Foi um passo muito importante chegar ao consenso de mudar o branding da LAM para Air Mozambique. Empresas como a ENH, Caminhos de Ferro de Moçambique e Seguros de Moçambique mostram que é possível termos instituições nacionais fortes”, afirmou.
Eficiência e preços competitivos são fundamentais
Na visão da FEMOCOS, a competitividade da nova companhia dependerá da capacidade de oferecer serviços regulares, pontuais e a preços acessíveis.
Entre os principais indicadores de sucesso, aponta a melhoria da frequência dos voos, redução dos atrasos, qualidade no atendimento e uma política tarifária mais competitiva.
“Não podemos ter preços elevados em voos de curta duração. Uma ligação como Maputo-Beira, de cerca de uma hora, não pode ter custos semelhantes aos de viagens internacionais de várias horas”, considerou.
Resultados deverão ser avaliados a médio prazo

Sobre os indicadores que poderão demonstrar a contribuição da Air Mozambique para a independência económica defendida pelo Presidente da República, Prehlad afirmou que será necessário observar os resultados ao longo do tempo.
Entre os aspectos a acompanhar, destacou a transparência, a governação, a eliminação de contratos irregulares, a redução de interferências políticas e a melhoria da eficiência operacional.
“A governação e a transparência têm que mudar. É preciso melhorar a gestão, a pontualidade, a qualidade dos serviços e o atendimento ao cliente”, afirmou.
Empresários recebem nova marca com optimismo
O presidente da FEMOCOS disse que o sector privado nacional recebeu com satisfação a criação da Air Mozambique, esperando que a nova companhia contribua para melhorar o ambiente de negócios no país.
A mudança da marca segue uma tendência observada em várias companhias aéreas africanas que adoptaram novas identidades como estratégia de modernização e reposicionamento no mercado internacional.
Entre os exemplos estão a transformação da antiga TACV em Cabo Verde Airlines, a reformulação da transportadora do Ruanda para RwandaAir, a evolução da Swaziland Airlink para Eswatini Air e a mudança da South African Airlink para Airlink.
Segundo especialistas do sector, estas mudanças demonstram que o reposicionamento de marcas é uma prática comum na indústria da aviação e pode representar uma oportunidade para reforçar a competitividade das companhias nacionais.
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