O evento, que acontece entre 11 de junho e 19 de julho, deve levar 99,2 milhões de brasileiros às compras, e cerca de 60% planejam adquirir produtos ou serviços voltados à Copa, de acordo com a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil.
Parte da expectativa do varejo está no dinheiro que sobra a partir da isenção da cobrança de imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais e com o uso do FGTS para pagamento de dívidas no Desenrola Brasil, previsto para a próxima semana.
Comercio temático para a copa do mundo de 2026 na Ladeira Porto Geral, em São Paulo
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Rubens Cavallari/Folhapress
UM convocação de Neymar gerou impacto no comércio de rua, segundo Lauro Pimenta, vice-presidente da Alobrás (Associação dos Lojistas do Brás).
“O Neymar funcionou como uma grife que descolou o interesse pelo jogo. Na terça-feira [19]o movimento explodiu e os comerciantes começaram a decorar as vitrines com bandeirinhas”, diz Pimenta.
Os lojistas da Rua 25 de Março, polo do comércio popular de São Paulotambém perceberam uma mudança no movimento após o anúncio dos jogadores da seleção, feito pelo técnico Carlo Ancelotti na segunda-feira (18).
Gildo Silva dos Santos, que trabalha há 15 anos como vendedor no local, disse à Folha que projeta uma alta de no mínimo 70% na comercialização de artigos temáticos. De acordo com ele, logo após a divulgação da lista foram vendidas 70 camisetas do Brasil. Nos dias anteriores, apenas 30.
Na Ladeira Porto Geral, o comerciante Pierre Sfeir, dono da Festa e Fantasias, conhecida como a maior loja do gênero na região, conta que o anúncio dos atletas levou mais clientes para o estabelecimento. Sfeir destaca que apitos, vuvuzelas e cornetas são os itens mais procurados.
As grandes redes do setor esportivo também acompanharam o ritmo. A Netshoes, do grupo Magalu, registrou entre segunda-feira (18) e quarta-feira (20) um salto de 340% na busca pelas camisas oficiais da seleção brasileira em comparação ao mesmo período da semana anterior. A expectativa é dobrar o faturamento em relação à Copa de 2022.
A Centauro não divulgou números exatos, mas disse que a procura por uniformes e produtos licenciados já apresenta desempenho superior ao registrado no ciclo do Mundial passado.
O interesse por camisas da seleção também pode ser confirmado pela tendência de procura no Google. Dados do Google Trends apontam que o interesse pelo termo “camisa Brasil” registrou um pico de buscas a partir das 16h da segunda, atingindo o seu nível máximo de interesse às 20h do mesmo dia, poucas horas após a divulgação oficial da lista.
Público comemora a convocação do jogador Neymar Jr. pelo técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, durante convocação dos jogadores brasileiros para a Copa do Mundo FIFA 2026, no Museu do Amanhã, no centro do Rio de Janeiro.
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Eduardo Anizelli/Folhapress
Na alimentação, os bares e restaurantes veem o período de jogos com otimismo. Segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), na Copa anterior o setor registrou aumento de cerca de 30% no faturamento logo na primeira semana de jogos, e a expectativa é que o resultado atual supere essa marca.
Quem for assistir às transmissões em casa precisará abastecer a geladeira nos supermercados. Segundo a CNDL, itens para churrasco e petiscos lideram as intenções de compra, com destaque para bebidas não alcoólicas (68%), salgadinhos (62%), carnes (60%) e cervejas (59%).
Nesse cenário, dependendo do avanço da Seleção rumo à final, a projeção de crescimento para o setor supermercadista gira entre 6% e 8,5%, estima a Apas (Associação Paulista de Supermercados).
As projeções também desenham um cenário de crescimento no segmento de eletroeletrônicos.
Apesar do otimismo da data, o cenário macroeconômico é afetado pela alta taxa de juros e o endividamento das famílias brasileiras. Dados da Serasa mostram que o Brasil chegou a 83,3 milhões de consumidores negativados em abril, o equivalente a mais da metade da população adulta.
Para Marcel Solimeo, economista-chefe da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), o orçamento apertado das famílias funcionará como um limitador, afetando principalmente a intenção de renovar a tecnologia da casa para assistir aos jogos.
Há também o risco de uma ressaca nos meses seguintes, especialmente se o torcedor gastar além da conta no calor do momento. “Isso vai se refletir nas vendas do segundo semestre, cuja previsão já é de desaceleração”, alerta.
Solimeo descarta o risco de um colapso financeiro pelo torneio. “Não se pode falar numa freada brusca, porque o comércio não vive de eventos estanques, ele tem sempre um processo. E, nesse processo, ele já vem sentindo o impacto pelo comprometimento da renda do consumidor e pela alta taxa de juros”, explica.








