TRAGÉDIA NA MATOLA RIO: Jovem de 30 anos encontrado morto após cinco dias de angústia

O que começou como uma rotina normal de trabalho terminou numa tragédia que deixa a família e a comunidade de Matola Rio mergulhadas em dor e incerteza. Zias Carlos, de 30 anos, que estava desaparecido desde a passada quarta-feira, foi encontrado morto nas águas do Rio Matola.
O corpo foi avistado a flutuar por um pescador no passado domingo, mas só viria a ser retirado na segunda-feira, cinco dias depois do desaparecimento, após uma busca marcada pelo desespero dos familiares.
Desaparecimento deixou família em alerta
Na passada quarta-feira, como era habitual, Zias Carlos saiu de casa com destino ao seu local de trabalho, mas não regressou.
A ausência prolongada e a falta de comunicação começaram a preocupar a família, sobretudo porque o jovem costumava chegar a casa entre as 19h30 e as 20h30.
Um dos familiares relata os primeiros momentos de preocupação:
«A partir das 20 horas o meu pai começou a perguntar por ele, porque normalmente ele chega a casa entre as 19h30 e as 20h30. O meu pai perguntou se ele já tinha chegado a casa, porque nós estávamos em casa — estávamos num outro velório — e nós respondemos que ele não havia chegado.»
Segundo o familiar, a família tentou contactar Zias Carlos, mas não conseguiu estabelecer qualquer comunicação.
«A minha mãe perguntou se eu havia falado com ele naquele dia, e eu disse que não, só falámos quando ele estava a sair para o serviço. E tentámos ligar para os números dele, mas os números todos estavam desligados».
Família percorreu hospitais e esquadras à procura de respostas
Perante a falta de notícias, os familiares começaram a procurar pelo jovem.
Inicialmente, a família decidiu aguardar as primeiras 24 horas antes de divulgar amplamente o desaparecimento nas redes sociais, numa tentativa de confirmar se se tratava efectivamente de um desaparecimento.
Na quinta-feira, as buscas intensificaram-se. Os familiares percorreram diferentes hospitais, esquadras policiais e a morgue local, procurando informações que pudessem ajudar a localizar Zias Carlos.
As buscas chegaram também à zona da Guerra Popular, onde os familiares procuraram saber junto dos residentes se alguém tinha presenciado algum acidente, confronto ou outra ocorrência que pudesse ajudar a esclarecer o paradeiro do jovem.
Sem respostas concretas, a família continuou a procurar.
Corpo avistado no Rio Matola
O pior cenário viria a confirmar-se no domingo.
Segundo os familiares, um pescador avistou um corpo a flutuar nas águas do Rio Matola e informou sobre a descoberta.
Entretanto, a informação só chegou ao conhecimento directo da família na segunda-feira.
Os familiares dizem ter enfrentado dificuldades para conseguir retirar o corpo da zona de mangal onde se encontrava.
Segundo o relato da família, as autoridades alegaram não dispor de meios náuticos para realizar a operação de resgate, situação que levou os próprios familiares a procurar o auxílio de pescadores locais.
Foram estes que, finalmente, conseguiram chegar ao local e retirar o corpo na segunda-feira.
A operação ocorreu cinco dias depois do desaparecimento de Zias Carlos.
Família exige respostas
A morte de Zias Carlos deixa a família com várias perguntas sobre as circunstâncias em que o jovem perdeu a vida.
Os familiares dizem não ter, até ao momento, respostas claras sobre o que terá acontecido entre o momento em que Zias saiu de casa e a descoberta do seu corpo no Rio Matola.
Em representação da família, a irmã que participou activamente nas buscas pede às autoridades que esclareçam o caso.
«Pedimos às autoridades para que façam um esforço de tentar nos dar respostas porque nós não temos nenhuma resposta».
A família espera agora que as autoridades competentes possam esclarecer as circunstâncias da morte e determinar, através das diligências necessárias, o que terá acontecido com o jovem.
Até ao momento, não estão esclarecidas publicamente as circunstâncias exactas que levaram à morte de Zias Carlos, pelo que qualquer hipótese sobre a origem da morte deverá ser tratada com cautela até à conclusão das investigações.