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Folha e UOL assinam acordo inédito no Brasil com OpenAI para alimentar o ChatGPT


UM Folha e o UOL fecharam o primeiro acordo comercial entre empresas de mídia brasileiras e a OpenAIdona do Bate-papoGPT.

A nova parceria viabiliza o fornecimento de conteúdo jornalístico de qualidade para o ecossistema de inteligência artificial da empresa de tecnologia, elevando a confiabilidade das respostas entregues pelo chatbot.

Homem utiliza ChatGPT em seu computador para trabalhar e estudar

Lucas Seixas/Folhapress

A aliança trava ação judicial movida em 2025 pela Folha contra a startup, em que requeria o fim da coleta e uso, sem autorização e pagamento, do conteúdo do site.

O acordo, agora, prevê que a Folha e o UOL compartilhem notícias em tempo real para alimentar a ferramenta. Na prática, isso significa que os cerca de 900 milhões de usuários do ChatGPT poderão receber informações mais recentes e embasadas em dados apurados pelo jornal.

O Brasil é atualmente um dos maiores mercados para o ChatGPT no mundo, com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais e cerca de 140 milhões de mensagens trocadas por dia, segundo a plataforma.

Varun Shetty, vice-presidente de Parcerias de Mídia da OpenAI, diz que Folha e UOL estão entre as fontes mais importantes de reportagem original do Brasil.

“Ao tornar o jornalismo feito por eles acessível no ChatGPT, nosso objetivo é ajudar os usuários a obter respostas mais úteis, oportunas e localmente relevantes. Ao mesmo tempo em que apoiamos o relacionamento direto dos publishers com um público global”, afirma.

Para Sérgio Dávila, diretor de Redação do jornal, “o interesse de uma gigante da inteligência artificial como a OpenAI pelo conteúdo da Folha e UOL só reforça a importância do jornalismo profissional”.

Carlos Ponce de Leon, diretor-geral da Folhadiz que a IA vai definir a próxima era da indústria jornalística e que o veículo quer ajudar a moldar esse futuro. “Ao firmar parceria com a OpenAI, estamos colocando a Folha na vanguarda dessa transformação e criando novas maneiras de expandir o alcance, a relevância e o impacto do jornalismo de qualidade.”

Jornalistas na Redação da Folha de S.Paulo em maio de 2026

Eduardo Knapp/Folhapress

Pelo combinado, os veículos também garantem acesso ao plano empresarial do ChatGPT, à API (interface de programação) e também ao Codex, modelo voltado ao desenvolvimento de software. O objetivo é explorar o potencial da IA no apoio ao jornalismo, seja na criação de recursos e produtos para os leitores, seja na otimização dos fluxos internos de trabalho das redações.

Paulo Samia, CEO do UOL, afirma que “as plataformas de IA precisam de fontes confiáveis. É natural que remunerem os autores de conteúdo qualificado por isso.”

Para Murilo Garavello, diretor de conteúdo do portal, “é importante que nosso jornalismo esteja em todos os ambientes que o brasileiro frequenta. E que informações verdadeiras sejam difundidas o máximo possível.”

Desde 2023 a OpenAI já anunciou parcerias com diversas companhias de mídia pelo mundo, como Financial Times, Condé Nast, Le Monde, Time e Axel Springer, entre outras.

Em 2025, a Folha também firmou colaboração com o Googlepelo qual dará acesso a parte de seu acervo de notícias e a um feed de textos em tempo real, ajudando a melhorar os resultados do Gemini.

PADRONIZAÇÃO

Além de acordos particulares entre empresas e disputas judiciais por uso indevido de conteúdo, coalizões jornalísticas surgem como estratégia para tentar diminuir atritos no licenciamento e estabelecer regras na relação entre veículos de imprensa e desenvolvedoras de IA.

Um exemplo recente nessa linha é o projeto Spur (acrônimo em inglês para padrões para direitos de uso de publicações), assinado pelos CEOs de BBC, Financial Times, The Guardian, Sky News e Telegraph.

O objetivo, segundo a iniciativa, é criar padrões técnicos e licenças que permitam às IAs usarem jornalismo de qualidade de forma responsável, garantindo remuneração justa e controle de conteúdo para os publishers.

No Brasil, entidades de mídia já manifestaram intenção de fazer acordos nesse contexto em comunicado divulgado em fevereiro. ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes) e Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) enviaram documento a empresas de tecnologia defendendo o uso remunerado do conteúdo de seus membros no treinamento de modelos de IA.

Naldo Agostinho

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